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terça-feira, 5 de maio de 2020

REFLEXÕES DE UM PELE VERMELHA - CABOCLO





Ah! Como era lindo de se ver! O meu povo todo reunido em volta da fogueira, ali no centro da tribo! O velho pajé na frente da fogueira, iniciando mais um ritual, mais uma saudação para agradecer ao nosso Deus, a Tupã,  por nossa fartura na caça, na pesca e na nossa pequena lavoura, pequena mais variada.

Logo que o sol nascia, a vida na aldeia se iniciava, aos poucos um a um ia se levantando, cada qual já sabia de sua obrigação. 

Muitas obrigações eram para benefício da tribo toda, na verdade, a maioria, todos cooperavam.

Quando os guerreiros saíam para caçar, a caça não era de quem caçou, toda caça do dia era dividida entre as famílias da tribo. Amparávamos uns aos outros. Tínhamos nossas leis, tínhamos poucos membros da Tribo que não agiam de forma para o bem comum, mas estes o Cacique com o Pajé saberiam decidir o que fazer. 

Mas no geral a vida era calma,tranquila mesmo, éramos unidos e com as outras tribos que tínhamos trato selado de paz também nos uníamos nas horas difíceis, fosse dificuldades nossas ou delas, sabíamos o significado da palavra honra. 

Um dia, não sabíamos, mas iríamos conhecer a deslealdade, a maldade gratuita, a vileza, gente que não tinha honra, gente que não valorizava a vida, que traria o fim de nossa paz. 

Vieram não de jangadas, vieram com barcos imensos, não pelos rios, mas pelo oceano, traziam a falsidade, a tudo olhavam procurando uma forma de ganho para  si, viam-nos como selvagens, como qualquer animal selvagem das florestas.

Com sorrisos e presentes tão simplórios, que para nós eram tesouros, pois não conhecíamos, ganharam a nossa confiança. Assistiram nossos rituais, olharam com cobiça as mulheres, aos poucos foram tomando conta. Nós em nossa simplicidade até achávamos que Tupã os havia mandado para nos ensinar. Triste ilusão. 

Tomaram conta da terra, nos obrigaram a abandonar Tupã, ameaçando-nos de arder no fogo do inferno, mataram muito dos nossos, nos aprisionaram, tentaram nos escravizar, mas nós nos recusamos a obedecer, nos bateram, nos feriram, estupraram as mulheres, roubavam as crianças. 
Trocaram-nos pelos pobres negros, que longe de suas terras não tinham como reagir. 

Havia bons padres, nem todos eram bons, mas havia um ou outro que nos defendia, a estes recebíamos com carinho, mas pouco conseguiam fazer, aqueles que a tribo foi dizimada, levavam para as missões, eram bem tratados, só que cultuavam Tupã às escondidas, passaram a ter duas fé, não queriam ofender, era uma forma de agradecer. 

Nós é que éramos selvagens? Nós que iríamos arder no inferno? Nós considerados até hoje os invasores da terra em que nossos ancestrais viviam. Nem  a menos nos deixam em paz na terra que eles resolveram der a bondade de ceder a nós. 

Enfraquecemos, não o corpo, o espírito, a confiança em Tupã quase desapareceu, as doenças dos homens brancos também nos matava, hoje o que somos? 

Olho meu povo,tão humilhado, hoje imploram um espaço para sobreviver, imploram ajuda, alguns caem nas malhas dos vícios humanos, antes viviam das benção divinas, são taxados de preguiçosos, mas apenas perderam o sentido da luta da vida. 

Ah se soubessem! Teriam lutado até o último indígena estar morto, pelo menos iriam viver com Tupã e lá com certeza uma terra Tupã lhes daria. 

Apenas reflexões de um pele vermelha.
Luconi
19-04-2020






segunda-feira, 27 de abril de 2020

LÁ VEM A GUERREIRA IANSÃ


Lá vem a guerreira,
que usa as cores,
vermelho, amarelo, rosa,
dependendo da linha que cruza.

Vem trazendo seus ventos, 
que a tudo limpa, 
tudo movimenta,
tudo transforma.

Sábia ela sabe,
dê cada um a necessidade,
em todos ela age,
impulsionando para novo caminho.

Seu vento é vendaval,
que tudo tira do lugar,
que leva pra longe o mal, 
para nos fazer caminhar.

Quando o caminho refazendo,
com ervas daninhas nos deparando,
em nós caímos,
fomos nós que plantamos.

Então seu vento é doce brisa,
que nosso coração acarinha,
refazendo nossa energia,
a nós dizendo:
FORÇA ESTOU CONTIGO.

GRATIDÃO MÃE  AMADA! 
Não nos abandone! 
Eparrey minha mãe! 

Luconi
22-04-2020

segunda-feira, 30 de março de 2020

JANAÍNA MENINA - TRABALHO UNIDO






Sobre as águas flutuava, uma sereia menina tão bela,eu paralisada estava, sorrindo comigo falava. 
Sou apenas uma serva, da guardiã de mãe Iemanjá, que reina neste ponto de força, da Sagrada Iemanjá. 

A Sagrada mãe é Orixá Divino, emana suas energias a todos oceanos, dividindo-os em diferentes pontos de força, onde é representada por suas Guardiães. 

Sou conhecida, como cabocla de Iemanjá, sou Janaina menina, guardo o mistério de gerar a alegria, sou ser natural, sigo a evolução por esta via. 

São vários pontos de forças, 
cada qual do seu cuida, cada espírito humano tem necessidade diferente, mas nestes tempos difíceis para a humanidade, todas se unem para gerar apenas um sentimento, a todos os espíritos encarnados, o sentimento da real fraternidade, 
em parceria com todas as Oxuns, que enviam a energia do amor puro, para que a fraternidade gere em todos. 

Assim que gerado, todas Iansãs irão movimentar os encarnados para que ponham em pratica.
Os Xangôs mostrarão a justiça a ser seguida, então os Oguns cumprirão a justiça direcionando os filhos para os caminhos da Lei determinada a cada um, todo Oxossi trabalha incansável trazendo o conhecimento necessário.

Dependendo de cada um, os Guardiões de Obaluaiê e Pai Omulu estarão a postos.
Pai Oxalá fortifica a fé de todos e mãe da Fé e do Tempo  age dando o tempo certo.

Mas não pense que Egunitá, Nanã , Oxum Maré e Oba , nada fazem, todos espíritos de suas essências estão purificando todos os encarnados para que seja gerado o sentimento da fraternidade.

Todo esse trabalho coroado com as entidades da direita e esquerda , que sem elas, seria impossível chegarmos ao fundo da alma de cada um. 
Como vê uma grande movimentação e união dos Orixás o momento exige, tudo por amor aos encarnados, tudo para o bem da humanidade, para que o que vocês julgam um grande mal seja para todos um grande bem. 

Pedimos a vocês apenas que vibrem FÉ, AMOR, pedindo a CURA para toda Humanidade. 

Olorum jamais deixaria seus filhos amados ao léu, chamem-no do nome que quiser, Deus, Olorum, Zambi, Alá, Jeová não importa, ELE nosso CRIADOR É MAIOR que os nomes que lhe dão. Tenham fé, nada é castigo, apenas uma necessidade para os humanos não se destruírem e poderem caminhar rumo à evolução. 

Inspirado por Janaína menina 
com auxílio do senhor Exu Marabô
Luconi
29/03/2020 

Explico: Trabalho com Janaína menina e o querido Marabô é um de meus guardiões. 

sábado, 28 de março de 2020

VÓ MARIA CONGA: ACORDA ZIM FIO


Acorda zim fio,
vai trabalhar, 
o dia raiou, 
é de Pai Oxalá. 


Acorda zim fio,
o Tempo já te chama,
a hora de semear,
já chegou.


Acorda zim fio, 
pisa firme no chão, 
a terra bendita, 
é de Obá. 


Acorda zim fio, 
vai aprender, 
o saber é de Oxossi,
flecha certeira indica o caminho. 


Acorda zim fio, 
a ventania vai te levar, 
Iansã senhora do vento,
fará você se movimentar, 


Acorda zim fio, 
não desanime, 
Ogum é Lei e ordem, 
vai te ordenar. 


Acorda zi fio, 
não chuta a pedra, 
a justiça de Xangô, 
tem olhos para ver.


Acorda Zi fio, 
a evolução te espera, 
dela ninguém foge, 
a mão Obaluaê te estende. 

Acorda zim fio, 
Nanã vai decantar,
a tristeza em teu peito, 
te trazendo a esperança.


Acorda zim fio, 
Iemanjá vai gerar, 
pra você nova vida, 
com o amor de Oxum.


Acorda zim fio, 
com sua capa 
Exu te envolve e protege, 
com sua gargalhada,
Pomba Gira laça teus inimigos.


Acorda zim fio, 
preto velho tá contigo, 
abre os ouvidos, 
segue os conselhos. 


Acorda zim fio, 
teu povo quer festejar, 
a tua vitória, 
quando para Aruanda voltar. 



ditado por Vó Maria Conga
psicografia Luconi

02-03-2020