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quarta-feira, 3 de maio de 2023

PAI SEBASTIÃO SUA COLCHA DE RETALHOS

                                IMAGEM @comunidadeinfinita




A vida é uma colcha de retalhos.

A maioria a tece só com os retalhos sombrios, pois são nesses que se fixam, os retalhos que seriam luminosos nesta colcha não são colocados e se são logo perdem o seu brilho, soterrados pelos retalhos sombrios.

Isto porque o filho só se volta para a dor, para aquilo que o magoou, que o feriu, só se lembra do que deu errado, e pior quando acham que a culpa é de outro, enganam-se porque para preservar seu ego culpar aos outros é mais fácil. Aumentando os retalhos sombrios.

Bastaria valorizar um retalho luminoso que esse quebraria a tristeza que os outros trazem, sua luminosidade se estenderia de tal forma que os retalhos sombrios seriam esquecidos.

Mas voltados para si mesmo não valorizam as alegrias, não percebem que são estes poucos retalhos que farão a sua colcha reluzir. São eles que se sobressairão a ponto de tornarem os retalhos sombrios invisíveis. Até que o próprio filho os tire de sua colcha, pois dentro de si já não existem.

Uma colcha de retalhos sempre pode ser refeita.

Que a sua colcha seja para cobri-lo de luz, através de pequenas lembranças luminosas de sua vida, essas lembranças luminosas atrairão mais retalhos luminosos.

Retalhos que você colecionará através de suas boas ações e de seu modo integro de ser.

Sua colcha de retalhos só depende de você! Ela poderá aconchegá-lo ou petrificá-lo.



Pai Sebastião

Psic Luconi (Marcia Maria)

28/09/2022



domingo, 30 de abril de 2023

ASSIM É O SENHOR EXU CAPA PRETA


Recordo com emoção a noite que seu Capa Preta me deu seu braço e saímos do terreiro para caminharmos no jardim que ficava na entrada do terreiro, claro dentro da propriedade. Os filhos lá no terreiro ficaram cantando os pontos de nossa esquerda.


Era gira de fechamento de trabalhos, final de ano. Todos levaram presentes para seu Capa, um a um ele foi chamando e para todos ele trabalhava o presente, devolvia dizendo leve põe em casa e quando precisar me firme que lá estarei.

Eu envergonhada, pois  diante de garrafas de whisky , pingas artesanais e outros presentes caros meu coração pediu para lhe presentear com um cravo vermelho.

Fui a última a ser chamada e sem graça lhe disse meu coração pediu para eu dar um cravo, obrigada, muito obrigada por tudo.

Ele sorriu e disse: presente mais valioso não há, deu-me o seu braço dizendo vamos passear.
E lá no jardim muitos conselhos me deu , cada palavra dita com muito carinho. O cravo ele disse: Esse presente levo comigo. E o colocou em sua imagem.

Seu Capa Preta, um pai, um amigo, um irmão.
Amo demais com o amor mais puro que há o amor de irmã , amor alicerçado através dos milênios.

Obrigada por ter confiado em mim e ter me passado a sua história !
Obrigada Pombagira das Flores (eterna esposa de senhor Exu Capa Preta) por permitir e estar também me guardando irmã milenar!

Laroyê Senhor Exu Capa Preta
Laroyê Senhora Pombagira das Flores!

Que saudades! Que muitos leiam a história de vocês, que os mitos caíam, que os ensinamentos toquem a alma de cada um!

FOGUEIRA DOS INOCENTES
@editoraaruanda
A quem agradeço a realizaćão da missão.


01-08-2022




terça-feira, 25 de abril de 2023

MIRONGA DE PRETO VELHO VOVÓ BENTA

 



Mironga de preto velho é tão simples, simples é,
mas só vai dar certo, se fé você tiver!
Precioso elemento é a fé, sim senhor!
A mironga, por mais simples, com fé ela reluz!

Agora nada adianta gastar o que não tem, porque sem fé ou fé fraca de quem confia desconfiando, a tua rica mironga nada vai valer! Vai faltar a energia que tudo ativa, que é a Fé verdadeira que pataco nenhum compra!

Por isso filho meu, vó vai te dizer aquela mironga tão simples pra você com fé pra nós vale ouro!

Vovó Benta!
Psic Luconi ( Marcia)
25-04-2022


sexta-feira, 21 de abril de 2023

VEJA O DESTINO DE UM PELE VERMELHA





Ah! Como era lindo de se ver! O meu povo todo reunido em volta da fogueira, ali no centro da tribo! O velho pajé na frente da fogueira, iniciando mais um ritual, mais uma saudação para agradecer ao nosso Deus, a Tupã, por nossa fartura na caça, na pesca e na nossa pequena lavoura, pequena mais variada.


Logo que o sol nascia, a vida na aldeia se iniciava, aos poucos um a um ia se levantando, cada qual já sabia de sua obrigação.


Muitas obrigações eram para benefício da tribo toda, na verdade, a maioria, todos cooperavam.


Quando os guerreiros saíam para caçar, não era de quem caçou, toda caça do dia era dividida entre as famílias da tribo. Amparávamos uns aos outros. Tínhamos nossas leis, tínhamos poucos membros da Tribo que não agiam de forma para o bem comum, mas estes o Cacique com o Pajé saberiam decidir o que fazer.


Mas no geral a vida era calma,tranquila mesmo, éramos unidos e com as outras tribos que tínhamos trato selado de paz também nos uníamos nas horas difíceis, fosse dificuldades nossas ou delas, sabíamos o significado da palavra honra.


Um dia, não sabíamos, mas iríamos conhecer a deslealdade, a maldade gratuita, a vileza, gente que não tinha honra, gente que não valorizava a vida, que traria o fim de nossa paz.


Vieram não de jangadas, vieram com barcos imensos, não pelos rios, mas pelo oceano, traziam a falsidade, a tudo olhavam procurando uma forma de ganho para si, viam-nos como selvagens, como qualquer animal selvagem das florestas.


Com sorrisos e presentes tão simplórios, que para nós eram tesouros, pois não conhecíamos, ganharam a nossa confiança. Assistiram nossos rituais, olharam com cobiça as mulheres, aos poucos foram tomando conta. Nós em nossa simplicidade até achávamos que Tupã os havia mandado para nos ensinar. Triste ilusão.


Tomaram conta da terra, nos obrigaram a abandonar Tupã, ameaçando-nos de arder no fogo do inferno, mataram muito dos nossos, nos aprisionaram, tentaram nos escravizar, mas nós nos recusamos a obedecer, nos bateram, nos feriram, estupraram as mulheres, roubavam as crianças.
Trocaram-nos pelos pobres negros, que longe de suas terras não tinham como reagir.


Havia bons padres, nem todos eram bons, mas havia um ou outro que nos defendia, a estes recebíamos com carinho, mas pouco conseguiam fazer, aqueles que a tribo foi dizimada, levavam para as missões, eram bem tratados, só que cultuavam Tupã às escondidas, passaram a ter duas fé, não queriam ofender, era uma forma de agradecer.


Nós é que éramos selvagens? Nós que iríamos arder no inferno? Nós considerados até hoje os invasores da terra em que nossos ancestrais viviam. Nem a menos nos deixam em paz na terra que eles resolveram der a bondade de ceder a nós.


Enfraquecemos, não o corpo, o espírito, a confiança em Tupã quase desapareceu, as doenças dos homens brancos também nos matava, hoje o que somos?


Olho meu povo,tão humilhado, hoje imploram um espaço para sobreviver, imploram ajuda, alguns caem nas malhas dos vícios humanos, antes viviam das benção divinas, são taxados de preguiçosos, mas apenas perderam o sentido da luta da vida.


Ah se soubessem! Teriam lutado até o último indígena estar morto, pelo menos iriam viver com Tupã e lá com certeza uma terra lhes daria.


REFLEXÕES DE UM PELE VERMELHA

Psic. Luconi 19-04-2020


Eu pergunto: Mudou alguma coisa? Temos motivos para comemorar no dia 19 de abril?