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terça-feira, 12 de setembro de 2017

UMBANDA NÃO SOMOS LENDA

 


Éramos nada e não achávamos que precisávamos de nada, tínhamos a nossa fé, esta sim era para nós tudo.
Confiávamos em nossos Orixás, em nossos guias, sabíamos que eles sempre fariam o melhor e não cogitávamos se havia perigo ou não, porque para nós esta palavra não existia.

Éramos unidos e não precisávamos de antemão combinar nada, nem quando iniciamos os nossos trabalhinhos, não tínhamos pretensões, nem pensamos em ter muitos filhos ou sermos pais de alguém, pois para isso não tínhamos preparo, mais uma vez deixávamos nas mãos de nossos Orixás, eles saberiam quem trariam para serem atendidos, para serem auxiliados. E como sabiam, irmãos para nos auxiliar, os que realmente iriam ficar, foram se achegando, de uma forma ou outra eram trazidos, a espiritualidade agia conforme via a nossa boa vontade, o nosso merecimento de termos respaldo.

Aqueles que a nós se uniram para trabalhar, podiam no início não estarem desenvolvidos como nós, mas tinham uma coisa em comum com nós a FÉ, a boa vontade, o amor ao próximo,  sabiam que nunca nos tornaríamos seus pais de santo, desde o início na brincadeira o meu irmão avisava, aqui não tem Pai ou Mãe, aqui não tem chefe.
E logo alguém perguntava: Mas e quem é o responsável? Não é você?
Ele rindo falava e apontava pra mim : - É ela.
E eu dizia; - Eu não, sou só a assistente dele. - E apontava pra ele.

Para nós os chefes que comandavam o pequeno centro eram os guias, em particular, o Pai João de Angola, que nos transmitia o que devíamos ou não fazer, como agir, dava-nos orientações, instruções  e nos ensinava um bocadinho do que era do outro lado da vida, isto quando marcava gira especial, tinha que ser a parte e em segredo senão não conseguíamos fazer como ele pedira.

Assistência que frequentava  era rotativa, vinham para socorro mesmo, depois que tudo estava resolvido aos poucos iam se afastando, alguns sim frequentavam com certa assiduidade. Agora na corrente, alguns entravam e depois se encaminhavam para outros lugares, nós não segurávamos ninguém.  As portas eram abertas para virem e irem a hora que quisessem, e se acaso fossem e depois viessem para nos visitar eram muito bem recebidos e que festa Pai João fazia. Mas a nossa corrente no final sempre ficava com os mesmos queridos filhos de Pai João.

Ah? Fundamentos?  Sim tínhamos fundamentos, todos que o querido Pai João nos ensinou e na esquerda os que o Sr. Capa Preta nos orientou, para podermos trabalhar.

Eu hoje sei que não tínhamos um terreiro propriamente dito, tínhamos um lugar de socorro, como se fosse um pronto socorro, é isso que tínhamos. E jamais nos amedrontamos com qualquer situação, trabalho ou pessoa que ali chegasse, porque se ali se apresentou como se apresentou é porque a Lei Maior havia trazido e MAIOR É DEUS e com ELE nossos Orixás e nossos guias venciam, nós não, nós não fazíamos nada além de doar nossa matéria e vou dizer a vocês como ficávamos felizes ao ver que quem ali veio havia ficado bem.

Bem nos sentíamos muito bem ali, nunca cobramos nada de ninguém, nunca exigimos que as pessoas se tornassem umbandistas, a maioria que ali ia não era, nunca exigimos que filho de corrente não faltasse, não havia cobrança e eles não faltavam a não ser em casos de extrema urgência, porque ali tínhamos AMOR.

Alguns tempos atrás, alguém me disse que em um certo centro Umbandista, quando pessoas que nos conheceram,  comentavam de nossos trabalhinhos a outros, estes agiam como se aquilo tudo que falavam fosse lenda, e então este filho me disse: A senhora e o Toni são lendas para alguns de lá.

E eu pergunto: Lenda por quê?
Porque apesar de todos imensos defeitos de nossas almas, nossa falta de informação sobre o ritual Umbandista, a nossa FÉ era tão grande que nunca ninguém ficou sem socorro, nunca nem nós ou alguém da corrente sofreu qualquer mal devido a trabalhos desmanchados por mais pesados que fossem, nós não somos lendas, nós fomos a realidade de uma época em que a informação era muito pouca, repleta de distorções, pois era passada boca a boca, não havia divulgação de obras sérias, não havia a internet com suas facilidades como nos dias de hoje,o grande Rubens Sarraceni ainda não havia iniciado a edição de suas magníficas obras,  então o Pai nos proveu de Fé e isto nos trazia tudo que precisássemos.

Se Pai Oxalá permitisse que o tempo retrocedesse, tudo de novo nós faríamos.


Salve Pai João de Angola mentor de nossos trabalhos na direita
Salve Exu Capa Preta mentor de nossos trabalhos na esquerda. 


OBRIGADA  é muito pouco, os senhores e meu irmão me deram razão para viver.

Luconi
12-09-2017

6 comentários:

  1. Eh Dona Márcia amo a senhora!!! Continue o trabalho sempre!!!

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    1. Filho querido que a vida distancia, eu te amo muito e fico muito feliz com tua vinda a esta casinha virtual que não é minha é de todos. Te amo mamãe

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  2. Maravilhoso tia... No fim é tão somente o que precisamos né, de FÉ 🙏🙏🙏

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    1. Sim sobrinho amado, se não tiver Fé você pode ter tudo, mas nada vai adiantar, agora se tiver FÉ, mesmo não tendo nada, Deus lhe dá o sustento e você consegue. Obrigada pela vinda a esta casinha virtual que não é minha é nossa. Amo vocês

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  3. Respostas
    1. Princesa só hoje vi teu comentário que gostoso ter vocês por aqui e marcando presença vem sempre a casa é nossa te amo

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