Caiam
pétalas de flores, de vários tipos e cores, forravam o chão aos meus pés e eu
não entendia o porquê.
Logo
ouvi o hino, o canto de festa dos Tapajós e me vi cercado de muitos e muitos,
não só antepassados da tribo ou irmãos indígenas que comigo conviveram, mas
também um número muito grande de pessoas brancas, negras, pardas.
Entendia
que atravessara o rio da vida, mas aqueles que não eram índios o que faziam ali?
Hoje,
lembrando meu espanto, dou risada, eram amigos de outras vidas quando índio eu
não era, mas na hora estranhei tantos abraços desconhecidos, mas carinhosos.
A
chuva de pétalas não cessava, levado fui para me recuperar, quando fiquei
pronto para trabalhar tinha algumas opções que poderia escolher, mas antes
disso, não pestanejei, queria antes de qualquer coisa ir aos pés dos espíritos
protetores da mata e das pedreiras.
Encantava-me
a ideia de poder ver nem que fosse de longe, aqueles que protegiam o mundo em
que vivi, as pedreiras enormes e as matas que as circundavam. Fui levado para o mesmo ambiente na
espiritualidade, era muito mais bonito, as cores mais vivas e as pedreiras até
reluziam.
Então, acabei visualizando no alto das pedreiras um orixá
intermediário de Xangô e ao longe nas matas um orixá intermediários de Oxóssi,
ajoelhei e louvei a Deus por tamanha graça, e clamei a Ele que eu pudesse ser
digno DELE e daqueles espíritos que me protegeram e protegerão sempre o mundo
em que vivi.
Não
sei quando tempo passou, nem posso descrever o que vi, mas fui levado até o
orixá de Xangô e conheci seu reino, seus pontos de força, sua essência, seus
mistérios e sua atuação. Depois, em seguida, levaram-me ao orixá de Oxossi que
também me deu conhecimento das mesmas coisas pertinentes a ele.
Descobri
então que a justiça de Xangô usada através do conhecimento de Oxóssi fazia
muito bem a muitos encarnados na terra, era a justiça unida a sabedoria, então
não tive dúvidas, trabalharia desta forma e com a permissão de Deus (Zambi) sou
um caboclo de Xangô com a atuação de Oxóssi.
Não
olho a religião de ninguém, atuo onde devo atuar, todo aquele que no meu
caminho cruza se tiver necessidade de minha ação eu não tenho dúvidas,
coloco-me em ação juntamente com minha falange.
Não
pense que faço caridade, todos se enganam referente a isto, trabalho por amor,
mas é o Pai que faz a caridade de permitir que eu atue, podendo assim resgatar
velhos débitos e reatar antigos laços.
Na
força de Zambi,
Saúdo
Xangô e Oxóssi,
e
peço para todos filhos desta terra sabedoria para encontrarem o caminho da
evolução.
Ditado
pelo Caboclo Sete Luas
psicografado
por Luconi
em
18-12-2014


