Eh meu povo, sou o andarilho João,
e vocês
perguntam : Quem?
Andarilho? Na Umbanda? E eu coço
a cabeça, ora, ora mais um
lugar
que não me conhecem, ou melhor,
não conhecem a linha dos
Andarilhos.
Pois
é, nós existimos e muito trabalhamos. Trabalhamos com o seu povo da Umbanda há
muito tempo, precisamos muito dos Sagrados Orixás que sempre mandam seus
caboclos e caboclas para nos ajudar, como também, dos pretos-velhos e da linha
da esquerda Exu e Pomba-Gira.
Com o que ou quem trabalhamos?
Com o que mais nos
faltou na vida terrena, o pão de cada dia, a solidariedade humana demonstrada
através do amor, um sorriso, um abraço, uma mão que se estende, antes até do
prato de comida.
Então trabalhamos para aqueles
que o infortúnio
tudo tirou, casa,
família, trabalho, esperança e
muitas vezes a fé.
Andarilho, aquele que anda sem
rumo, deixando que
a novo cada
dia sua estrada seja traçada ao
sabor do acaso, uma ora aqui outra
ali.
No tempo em que fui um na terra não era considerado mendigo, na verdade
não esmolava, com pequena trouxa nas costas andava pelas estradas de terra que
asfalto não tinha não. Ia de fazenda em fazenda, ou melhor, de herdade em
herdade, e em cada uma delas fazia pouso, algumas vezes nada encontrava,
passava frio, fome, sede difícil porque na época e na região os rios eram
muitos e a água era de todos.
Procurava sempre que alguém se
apiedasse e me
oferecesse
trabalho, em época de plantio e
colheita era fácil de arrumar, de
um tudo fazia, quando não, ao
invés do campo me davam
estrebarias para limpar,
animais
para cuidar, mas eu
desassossegado raiz não fincava.
Na época tinham os andarilhos
como fracos da
cabeça, a maioria
não era, sempre havia uma história
triste que ficara para
trás, sempre
havia uma razão para não querer
ficar e ter contato com qualquer
coisa que lembrasse o passado, eu
não corria risco, caso começasse a
me apegar,
punha a mochila nas
costas e corria chão.
Cachaça não bebia não, uma vez ou
outra para
espantar o frio, quando
alguém me oferecia um gole ou
quando tinha ganho e
guardava a
garrafinha no gibão.
Sempre que pude ajudei, sempre
soube ouvir, pobre
que era só tinha
meus ouvidos para emprestar,
pequenos ou grandes favores
nunca me neguei a prestar, não
queria nada em troca nem o muito
obrigado, fazia de
coração.
É minha gente, não fui santo
também não, estava
resgatando
muitos erros de encarnações
distantes quando muitas vezes não
valorizei família, nem o ganha pão
sagrado de meu próximo.
Precisava aprender a dar valor e
quando minha
família e bens perdi
a dor foi imensa, mas não me
revoltei, apenas raiva no
inicio,
choro em seguida e depois a
certeza que Deus queria que o
mundo fosse a
minha casa e a
solidão minha companhia.
Bem um dia conto por que perdi
tudo, por ora quero
apenas dizer
que estou ao lado de todo aquele
que desinteressadamente ajuda
quem nada ou quase nada tem. Eu
e meus companheiros estamos
abrindo caminhos,
estamos
incentivando, consolando,
clamando ao Pai auxílio e
trabalhando para
que ninguém se
desespere e cometa ato
tresloucado, o que nem sempre
conseguimos
impedir.
Então, você que se propõe a
ajudar,a levar a
comida quente, a
dar um sorriso ou uma palavra de
esperança a estes desvalidos
da
sorte, marginalizados da sociedade,
esteja certo que estamos com você
e como
nada é o acaso, se esta foi
a missão que abraçaste é porque
sem dúvida no
passado tens laços
fortes com o carma que eles
resgatam.
Deus os abençoará sempre, Jesus
enviará seus
anjos, Oxalá
sustentará a vossa fé e Oxum os
cobrirá com o mais puro amor
nesta hora de auxílio, para que
portas se abram para estes
desvalidos, corações sejam
consolados, almas se salvem.
Para vocês Andarilho João tira o
seu chapéu.
Avante, continuem sempre e
precisando é só
chamar.
ditado por Andarilho João
psicografado por Luconi
em 18-08-2013