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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

PRESENTE DE AMOR, BONDADE DE DEUS







Estava eu muito triste, sentindo muito a falta dos irmãos que frequentavam meu antigo templo, que com minha mudança de cidade e também a mudança de meu irmão que o comandava, acabou fechando.


Médium há trinta e sete anos, vivendo para a religião, agora sem ter um templo para  me sentia muito só, e uma sensação que ainda devia procurar um templo.


Já fazia dez anos que longe de São Paulo estava, nunca mais havia tido notícias de alguns irmãos muito queridos, e a saudades apertava meu peito, então eu tive um sonho com meu querido Pai, falecido já há trinta e dois anos.



Encontramos-nos e muito conversamos não me lembro de quase nada, a não ser que ele deixava claro que lá ele seguia um trabalho, ele não era meu pai, mas um trabalhador da grande seara. Vi o trabalho que faz mas não tenho permissão para revelar, principalmente porque ele usa outro nome neste trabalho.



No entanto no final do sonho quando nos despedíamos, eu contava a ele que não tinha encontrado um templo para trabalhar e não tinha condições financeiras para abrir um.



Ele sorriu e me disse: Ah! Filha tenho te encontrado em tantos templos de umbanda.



Eu o olhei sem entender, mas antes que pudesse perguntar acordei.



Na hora não entendi o que ele dizia, depois de dois ou três meses, estou acordando e vejo (regularmente não sou vidente) um cavalo branco com um soldado romano em cima, que simplesmente pulava a cama e desaparecia.



Fiquei ali deitada querendo rever, e então fiz uma prece de agradecimento a Deus, um soldado de luz, um guerreiro de Ogum me visitara, eu estava extasiada.



Levantei-me e estava terminando de me trocar, quando escuto gritos de meu filho que vem chegando de São Paulo.



-Mãe, mãe olha quem veio te ver.


Corro ansiosa, lembrando-me da visão.


Lá parado a minha porta, estavam meu sobrinho, filho de Umbanda muito querido, com sua esposa não menos querida, ele simplesmente emocionado olhou pra mim e disse:



-Minha tia, me coroei, preparei-me para o sacerdócio de nossa religião, e esta espada é de meu Pai Ogum, eu a consagrei a ele, em minha coroação, hoje eu vim pra te ofertá-la.


Não imaginam, não podem imaginar a alegria que explodiu no meu peito, chorei, chorei muito e ainda hoje choro de emoção ao lembrar-me.



Para maior alegria minha, fiquei sabendo que outros filhos queridos o seguia, fui para o meu quarto ajoelhei-me e agradeci a Deus, a Nosso Sr. Jesus Cristo e a Oxalá, algumas sementes brotaram, tenho certeza que eles são espíritos repletos de amor e que a fé e o esforço próprio de cada um é que fizeram-nos levantar a Bandeira do Amor.


Sei que os méritos são exclusivamente deles, pois eu os abandonei há dez anos, mas mesmo assim entendo o que meu pai disse no sonho, tenho te encontrado em muitos templos de Umbanda.



É por estas flores que se colhem pelo caminho que renovo minhas forças e digo, não não posso parar, e mesmo sem ter um templo para ir, estou aqui neste blog, tentando passar a vocês o quanto é importante fazermos uma Umbanda com fé, amor e caridade.



Procurarmos ensinar que a Umbanda é Cristã sim, pois é exatamente NOSSO SENHOR JESUS CRISTO NOSSO REGENTE PLANETÁRIO, e nada acontece sem a sua autorização.



Avante, com muita fé e amor.



Luconi.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

VIVA COLHEMOS ROSAS





Após tanto tempo, aqui retornamos, incentivados por uma irmã que abandonou o preconceito e fez um relato sincero nos comentários do texto “ Ensinamentos de Maria Padilha da Encruzilhada de Fé”.

Não imagina a írmã quanta alegria nos proporcionou, são por estas rosas que colhemos em nosso caminho e abastecem o nosso celeiro com inigualável amor, que percebemos o quando vale a pena. 

Outro dia, acompanhando nosso cavalo ou aparelho como queiram, a uma casa kardecista, aonde o cavalo fazia um curso de evangelização levada por nós e por seus mentores da mesa branca, assistimos à conversa que a dirigente teve com a nossa menina. Aonde deixava claro que se ali ela estava era porque ela havia evoluído e nós seus guias de umbanda também, a ponto de não querermos mais ficar na Umbanda, por isto a tínhamos levado para lá. 

Bem no momento ficamos mais preocupados em manter a serenidade do cavalo, que costuma falar o que pensa e se sente muito ofendida quando denigrem a imagem da Umbanda, Graças a Deus ela se conteve, nada falou, apenas procurou encurtar o assunto. 

Agora lhes digo se aquela dirigente pudesse enxergar o mundo espiritual naquele instante, teria sentido uma dor muito grande, pois juntamente com os mentores espirituais da casa, juntamente com as equipes médicas do espaço, muitos guias de umbanda ali estavam, fazendo o mesmo trabalho regenerador, cada um dentro de seu campo de atuação. 

O próprio mentor da dirigente balançou a cabeça, depois dirigiu um olhar a todos, um olhar súplice como se quisesse pedir desculpas por ela. 

Entendemos lógico, que a dirigente era uma mulher em plena evolução sim, com um coração imenso, e realmente acreditava naquilo que falava, mesmo sabendo por fonte segura que a segurança da casa e a limpeza espiritual eram feitas por guias de umbanda, mesmo assim, ela ainda achava que por se tratar de segurança e limpeza, era feito por espíritos menos evoluídos. 

Ou seja, ela ainda está presa ao preconceito das posições,das falas bonitas, em sua concepção jamais um guardião das trevas estará ali por opção, por amor aos irmãos retardarios, por amor ao Cristo planetário, que sofre por suas ovelhas que teimam em se atrasar. 

Ela nem lembra que se o amado Jesus Cristo, nosso regente planetário, deste que Deus criou este mundo, com uma luz inimaginável, desceu da esfera Cristica, a custa de muito sacrifício, condensou toda esta energia e encarnou num corpo carnal, porque nós espíritos em evolução, não iríamos trabalhar na crosta ou nas trevas, nós que tanto ainda devemos a Lei. 

Sorrimos para o mentor que se entristecera, ora ele era nosso amigo, irmão de luta, ali trabalhávamos por amor e sabíamos que certas verdades aquela irmã não aceitaria, ela pregava o que lhe haviam ensinado, seus mentores não poderiam insistir neste assunto com ela, correriam o risco de perder o excelente canal que tinham para fazer um trabalho digno e redentor. 

Ao seu tempo nesta vida ou na outra ela entenderá, a caridade que presta tem salvado muitos irmãos encarnados ou desencarnados. 

De outro lado quando visitamos certos Templos que se dizem de Umbanda, aí sim choramos ali tudo se vê menos a prática de uma religião, menos o respeito pelas Leis do Cristo. Nesta hora muitas vezes quando nós trabalhadores desta seara sentimos uma enorme dor, muitas vezes espíritos da seara do kardecismo nos acolhem com palavras de encorajamento e amor. 

Por isto no início dizemos que a irmã que fez o comentário, abasteceu nosso celeiro, pois encorajou a nossa menina a continuar, ela sonha em levar Jesus para a Umbanda, só que ELE já está lá, sempre esteve o que ela precisa é apenas lembrar aos umbandistas disso.


Texto enviado com a participação de

Zé Pilintra, Pai Tomé, Maria Padilha da Encruzilhada de Fé. 

Psicografado por Luconi
08-10-09





ABAIXO O COMENTÁRIO AMIGO
CAUSA DESTA MENSAGEM.


JR disse...



É com muita alegria,que sigo agora esta pia para lavar minha cara ao arrependimento.

De ter julgado tão mal uma religião que é um canal para a entrada de amor.
Que mania que nós temos de julgar mesmo o que não conhecemos e depois achar que sabemos de tudo.
Eu tive o privilégio então de conhecer esta religião e tirar minhas conclusões.
Deixo agora escrito aqui que amei todas as entidades que recebi como meus anjos guardiões.
E pra você que está lendo este relato siga agora mesmo ,lavando seu próprio prato antes de falar o que desconhece.
Procure conhecer a vida desta entidades que você vai sentir grandes saudades
sem saber de onde vem.
Eu fiz e não me arrependo, pelas belas lições que agora entendo de onde vinham estes sinais.
Hoje, mesmo seguindo outra linha paralela meu coração continua amarrado nela A querida UMBANDA de DEUS.


JR, prometo a você que ao menos uma vez na semana, darei oportunidade para os meus amados guias de Umbanda psicografarem.


Luconi.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

ENSINAMENTOS DE MARIA PADILHA DA ENCRUZILHADA DE FÉ



Em certo terreiro de Umbanda, num dia de gira de esquerda, o guia chefe do terreiro, convidou uma moça que havia ido visitar o terreiro, para fazer parte da gira, tudo corria normal quando a sua pomba gira de frente, antes de ir embora pediu permissão para falar a todos os presentes.



Permissão dada, ela começa a falar, deixando assistencia e alguns médiuns, diria eu incucados, enquanto o guia chefe, o Sr. Capa Preta, apenas pedia para que escutassem com atenção, ela amparada por ele, teceu este pequeno discurso:


- Andei meio indignada com tantas futilidades, não imaginam como fica difícil, seguir a nossa missão de ensinar que a Umbanda é uma religião.


Quando muito desanimo, penso nos Orixás amados, que em nós confiaram a importante missão, eles por sua vez quando estes filhos lhes ferem a sensibilidade, lembram-se de Pai Oxalá, lembram-se do Cristo Jesus, e em uma muda prece cicatrizam seus corações.


Porque julgam vocês que os guias foram feitos para satisfazer suas vontades, facilitar-lhes a vida, concretizar suas vinganças mesquinhas?


Porque acreditam os médiuns que são melhores que os outros só porque incorporam, ou tenham qualquer outro tipo de mediunidade?


Porque alguns julgam que raspando a cabeça e deitando, irão se tornar pais ou mães de terreiros?


Quem lhes disse que coisas materiais, ou qualquer sincretismo irão torná-los à altura de um líder religioso? Não sabem que para se tornar um líder tem-se que primeiramente obter evolução espiritual e que esta só vem através de reforma íntima?


Não sabem que o que importa é cumprir uma missão voltada para as necessidades espirituais de cada um, que muito útil é o médium que fica naquele cantinho do terreiro, simples, humilde, mas dono de uma grande firmeza que mesmo não atendendo nenhum consulente dá suporte para que o templo possa funcionar que sua firmeza proporciona condições de muitos serem atendidos sem mesmo terem aberto suas bocas.


Não imaginam que existem infinitos atendimentos feitos fora do terreiro, de tantos e tantos irmãos que por um motivo ou outro não podem se dirigir a um templo ou então não são umbandistas, mas são antes de tudo filhos de Deus Pai, e que nós espíritos trabalhadores sendo de qual seara for, que trabalhamos nas Leis do Pai, não nos importamos com a crença religiosa de cada um, vendo apenas a sua necessidade, e muito precisamos das energias positivas que devem ser emanadas durante os trabalhos espirituais, também aproveitamos os trabalhos para levar para ali espíritos trevosos ou não, endurecidos no ódio, muitos dos quais tão embrutecidos que precisamos do ectoplasma dos médiuns umbandistas, às vezes até da incorporação para que possam mais rapidamente tomar a forma humana, para então depois levá-los para as vias de evolução, ou seja entregá-los a Lei Maior.



Filhos procurem na Umbanda a evolução espiritual, esta é a primordial função de qualquer religião, vocês dirão então quando temos problemas materiais, quando uma faca nos atravessar o peito, não poderemos contar com os guias? Eu lhes responderei, claro que sim, sempre passaremos a força necessária, sendo permitido lhes abriremos os olhos, afastaremos as energias negativas segundo o merecimento de cada um, mas jamais poderemos interferir em seus carmas no direito de cada um do livre arbítrio.


A caridade deverá ser sempre a primeira preocupação de cada filho e as suas atitudes no dia a dia deverão sempre refletir o seu amor ao próximo.


Bem, já falei demais, existe muito trabalho a ser feito, sei que muitos escutaram sem ouvir, outros tantos ouviram, escutaram, mas duvidam que estas palavras partam realmente de mim, outros poucos escutaram, ouviram e estão a refletir, nestes o solo é fértil, e se ao menos um dentro desses poucos tentarem por em prática eu já me sentirei muito agradecida.


Aos que duvidam que estas palavras partam de mim, os convido a fazer um estudo sério sobre evolução na luz e evolução nas trevas, de qualquer forma sempre haverá médiuns sérios cujos guias os poderão esclarecer. 


Com uma gostosa gargalhada, Maria Padilha da Encruzilhada de Fé, girou e se foi.


No templo um silêncio, seu aparelho que era apenas uma visitante que havia sido convidada para participar, notou algo estranho, demoraram-se alguns minutos para o ritmo dos trabalhos voltar ao normal.


Quando após a gira alguém comentou sobre o acontecido, o aparelho de Maria Padilha sorriu, a conhecia há mais de trinta anos, ela não perderia a oportunidade, como dizia toda hora é hora de plantar, e a semeadura se faz urgente.



Ditado por Maria Padilha da Encruzilhada de Fé

psicografado por Luconi

 em 06-08-09

quinta-feira, 30 de julho de 2009

A VERDADEIRA LIBERDADE PAI TIÃO E PAI TOMÉ



Sou um velho, um velho bobo que sonhava com a liberdade, passei a vida com este sonho, nasci escravo, quando criança não tinha muita noção do fato, tive sorte minha mãe era a cozinheira da casa grande, e eu até os oito anos fiquei preso a sua saia, não tinha muito contato com minha gente, dormia junto com minha mãe num quarto destinado aos escravos que serviam dentro da casa.

Minhas horas de folguedo eram muitas, porque a sinhá tinha uma filha que tinha a minha idade, e como sinhá era boa permitia que brincássemos juntos pelos arredores da casa grande, mas tudo que é bom termina.

Um dia, ninguém entendeu o porquê, mas o patrão mandara chamar minha mãe e sem explicações, disse-lhe que me venderia, nada adiantou os rogos de sinhá, em poucos dias fui levado, para fazenda na mesma região.

Mais tarde soube que a decisão foi tomada porque o patrão envenenado pelo capataz, tinha medo que a minha amizade com a sinhazinha lhe trouxesse problemas futuros.

Na nova vida a moleza acabou como também minha infância, era bem desenvolvido devido ao fato de não ter vivido em senzala até então, como todo escravo da casa comia o que mamãe servia aos patrões, isto me dava grande vantagem na aparência em relação aos meninos criados desde o nascimento nas senzalas, imediatamente fui colocado para ajudar na colheita com a mesma carga horária desumana dos outros escravos.

A revolta ia se formando dentro do peito, fui tomando consciência da vida desumana de meus irmãos, tentei fugir bem umas três vezes, toda vez fui para o tronco, depois pão e água por dias, assisti a morte no tronco de alguns irmãos, partiam e deixavam para trás grande dor no peito de filhos e mulher, pois nem todos eram separados da família, diziam não ser rendoso para o trabalho separá-los.

Bem fui crescendo, os anos passando, e quando contava já com uns vinte anos, chegou à fazenda uma leva de escravos novos, entre eles estava um que se tornaria meu grande amigo, era Tião que há alguns anos havia vindo diretamente da África, lá era rei, aqui escravo, passara por uma fazenda onde ficara uns cinco anos e agora havia sido vendido devido a problemas financeiros do patrão que se desfizera de metade de seus escravos.

Aproximou-se de mim exatamente por causa de minha revolta, eu tinha tentado minha terceira fuga e havia saído do tronco naquele dia, todo arrebentado, sangrando, ele entrou na senzala sentou-se do meu lado e com umas ervas que colhera começou a fazer unguentos, aliviava a minha dor muito mais que as ervas que as mulheres preparavam, ao sabê-lo rei espantei-me, como um rei, se dispõe a tratar as feridas de um neguinho como eu, ainda mais sendo este um trabalho praticado pelas mulheres.

Tião estava sempre sorrindo, não só para nós, mas para todos tinha sempre uma atitude humilde e sua presença sempre impunha respeito, nem o capataz o importunava, eu me perguntava será que é pelo seu tamanho?
Certa vez, sendo sabedor que o filho do patrão adoecera, não pestanejou, na primeira oportunidade cercou-se dele e lhe ofereceu ajuda, ainda dizendo que se o sinhô não confiasse nele não tinha problema ele ensinava o que fazer e outra pessoa de sua confiança o faria.

Passado alguns dias o chamaram na casa grande, ele já foi levando as ervas, e para espanto geral o menino em três dias estava outro, desta forma ganhou a confiança dos brancos e não era raro ver o patrão trocando dedo de prosa com ele.

Depois de algum tempo nossa senzala foi melhorada, introduziram na nossa alimentação um pouco de carne e passaram a permitir que fizéssemos nossa roça para o plantio de alguns legumes e de mandioca.

 É aquele nego parecia ter nos ajudado, mas eu ainda queria fugir.

Estava exatamente planejando uma forma de fazê-lo quando ele se aproximou, e sem rodeios foi falando, está na sua cara que você vai fugir de novo. Eu rebelde como sempre, atirei-lhe na cara a sua covardia, onde já se viu rei que se transforma em escravo e ainda por cima amigo de branco.

Balançando a cabeça, disse-me que exatamente um rei tem que saber o que é melhor para o seu povo, e o seu povo ali era escravo, que culpa da situação tinha os de sua própria cor na África que os havia traído, entregando-os por um punhado de ouro na mão dos brancos.

Estes brancos carregavam o erro de tê-los comprado, mas se não fosse eles seriam outros brancos que o fariam, agora vejamos lá na África antes de ser rei fui instruído pelos mais velhos da tribo e também pelo pajé.

Nestes ensinamentos eu aprendi a amar e cultuar os Orixás Naturais, aprendi que nada nesta vida acontece sem a permissão de Olorum, e que para tudo existe um motivo, nada nesta vida é perdido, e tudo é feito para a nossa alma crescer.

Louco, insano é aquele que se deixa levar somente pela emoção, deve-se pensar com a razão, deve-se estudar os fatos seguindo sempre as leis dos Orixás, que é a lei de Olorum, e se Olorum nos coloca em determinado plantio é neste plantio que devemos trabalhar.

O que você ganhou até hoje com sua revolta, além do sofrimento do tronco e a perseguição do capataz, o que você trouxe de bom para o seu povo sofrido, além de espalhar a sua revolta e mais tarde a vingança do capataz em cima da nossa gente por sua causa? Nada, nada mesmo, acredito até que ao invés de crescer a sua alma diminuiu.

Dos meus olhos rolavam grossas lágrimas, do jeito que ele falava, parecia que eu tinha jogado fora minha vida até então, já ouvira coisas semelhantes dos velhos, mas eles pobres coitados não tinham como lutar, agora Tião ainda era forte apesar de já contar com uns cinqüenta anos, tinha nascido livre ao contrário de mim, e ainda por cima rei.

Ele com aquele jeito seu peculiar, abraçou-me, balançando a cabeça disse-me que viveria mais um bocado, mas eu mais novo que ele uns trinta anos, ficaria e precisaria seguir seus ensinamentos, suas mandingas e seu tratamento com as ervas, senão o seu povo ficaria desorientado de novo.

Não acreditei, ele me apontava como seu sucessor, eu um nego metido e revoltado, e mais uma vez ele me disse a revolta o tornou surdo para os bons sentimentos, sentimentos que trazes dentro de tua alma plantados por sua mãezinha, e és metido por causa de teu orgulho, que foi ferido quando deixastes de ser cria da casa do patrão e passou a ser apenas mais um numa senzala.

Como ele estava certo, lia dentro de mim melhor do que eu mesmo, e na verdade eu só tinha parado para ouvi-lo porque ali se encontrava alguém que tinha tido posição melhor que a minha, ele tinha sido um rei.

Bem muitos anos se passaram um dia meu amigo já muito velho partiu, quando sentiu que a hora estava chegando pediu ao sinhô que o deixasse construir um barraco, de madeira, perto do lindo lago que ladeava a fazenda, foi atendido, e um dia quando fui levar seus mantimentos, chamou-me e disse : Agora é só com você, se puder prepara alguém para quando chegar a tua hora.

Quis ficar ali, passar a noite, ele sorrindo dizia, é só velhice, é só velhice, a carne está cansada, a alma novinha em folha precisa de libertação, vá em paz, não se esqueça do que comigo aprendeu, continue colocando em prática, que quando chegar o dia da tua liberdade prometo que venho para libertar tua alma.

Abracei-o, beijei aquele rosto tão querido, que havia me ensinado a humildade, a ter paz, e com isso tornar a vida de meu povo menos sofrida, no dia seguinte quando voltei ele havia partido, seu corpo inerte, seu rosto com um lindo sorriso, levei a notícia ao sinhô que para o meu espanto deixou as lágrimas rolarem.

Depois daquele dia, sinhô passou a me procurar como dizia para um dedo de prosa, ia logo falando Tião se foi, mas deixou você para nosso consolo, em seu leito de morte anos após, chamou-me e apontando para o seu filho, que Tião havia salvado quando jovem, disse-lhe quando o coração apertar lembre-se deste preto velho, foi através de sábios conselhos que parei de praticar muitas injustiças e aliviei meu coração sempre.

Mais uns anos, sinhozinho permitiu que eu ocupasse a cabana de Tião, bem sucessor não foi difícil, rere! Minha querida nêga desencarnada em seu último parto, me dera onze filhos, cinco meninos e seis meninas, desde pequenos os ensinei, uns dois anos antes a Lei Áurea havia sido promulgada, e apenas dois continuaram na fazenda.

A minha alma se libertou de dia, ainda era cedo, um sono danado me deu, de repente lá estava Tião, havia prometido e cumpriu, muito rápido eu estava na Aruanda, e então descobri o que era liberdade, descobri que todo encarnado é escravo da carne, e pior que isso é escravo dos vícios que carrega na alma, estes sim são verdadeiras feridas abertas emanando muita energia negativa, que só através da reforma interior que através de Tião eu consegui realizar, é que conseguimos nos libertar realmente e então passarmos a nos sentir livres, o amor nos invade e a felicidade transborda.

Ah! Ocê  sabe o nome deste véio teimoso, salvo por Pai Tião, ora, ora, fia sou eu Pai Tomé.

Ditado por Pai Tomé de Aruanda
Psicografado por Luconi
em 30-07-09