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sexta-feira, 17 de julho de 2009

MEU BONDOSO PRETO VELHO





Aqui estou de joelhos, agradecido, contrito, aguardando sua benção.



Quantas vezes com a alma ferida, com o coração irado, com a mente entorpecida pela dor da injustiça eu clamava por vingança, e Tu, oculto lá no fundo do meu Eu, com bondade compassiva me sussurravas: “ESPERANÇA”.





Quantas vezes desejei romper com a humanidade, enfrentar o mal com maldade, olho por olho, dente por dente, e Tu, escondido em minha mente, me dizias simplesmente:




“Sei que a maldade e a traição ferem o coração, mas, responder com ofensas, não lhe trará a solução. Pára, pensa, medita e ofereça-lhe o perdão. Eu também sofri bastante, eu também fui humilhado, eu também me revoltei, também fui injustiçado.



Das savanas africanas, moço, forte, livre, num instante transformado em escravo acorrentado, nenhuma oportunidade eu tive. Uma revolta crescente me envolvia intensamente, porque algo me dizia que eu nunca mais veria minha Aruanda de então, não ouviria a passarada, o bramir dos elefantes, o rugido do leão; minha raça de gigantes de que tanto orgulho tivera, jazia despedaçada, nua, fria, acorrentada num infecto porão.



Um ódio intenso o meu peito atormentava, porque OIÀ não mandava uma grande tempestade? Que Xangô com seus raios partisse aquela nave amaldiçoada, que matasse aquela gente, que tão cruel se mostrara, que até minha pobre mãezinha, tão frágil, já tão velhinha, por maldade acorrentara. E Iemanjá, onde estava que nossa desgraça não via, nossa dor não sentia, o seu peito não sangrava? Seus ouvidos não ouviam a súplica que eu lhe fazia? Se Iemanjá ordenasse, o mar se abriria, as ondas nos envolveriam; ao meu povo ela daria a desejada esperança, e aos que nos escravizavam a necessária vingança.



Porém, nada aconteceu, minha mãezinha não resistiu e morreu; seu corpo ao mar foi lançado, o meu povo amedrontado, no mercado foi vendido, uns pra cá, outros pra lá e, como gado, com ferro em brasa marcado. Onde é que estava Ogum? Que aquela gente não vencia? Onde estavam as suas armas, as suas lanças de guerra?



Porém, nada acontecia, e a toda parte que olhava, somente uma coisa via: terra.



Terra que sempre exigia mais de nossos corpos suados, de nossos corpos cansados. Era a senzala, era o tronco, o gato de sete rabos que nos arrancava o couro; era a lida, era a colheita que para nós era estafa, para o senhor era ouro. Quantas vezes, depois que o sol se escondia, lá no fundo da senzala, com os mais velhos, aprendia que no nosso destino no fim não seria sempre assim, quantas vezes me disseram que Zambi olhava por mim.



Bem me lembro uma manhã, que o rancor era grande, vi sair da casa grande a filha do meu patrão. Ingênua, desprotegida, meu pensamento voou: eis a hora da vingança, vou matar essa criança, vou vingar a minha gente, e se por isso morrer, sei que vou morrer contente.



E a pequena caminhava alegre, despreocupada, vinha em minha direção; como a fera aguarda a caça, eu esperava ansioso, minha hora era chegada. Eu trazia as mãos suadas, nesse momento odioso, meu coração disparava, vi o tronco, vi o chicote, vi meu povo sofrendo, apodrecendo, morrendo e nada mais vi então. Correndo como um possesso, agarrei-a por um braço e levantei-a do chão. Porém, para minha surpresa, mal ergui a menina uma serpente ferina, como se fora o próprio vento que fere o espaço, errando por minha causa; o seu bote foi tão fatal, tudo ocorreu tão de repente, tudo foi de forma tal, que ali parado eu ficara, olhando a serpente que sumia no matagal.



Depois, com a criança em meus braços, olhei meus punhos de aço que a deviam matar… olhei seus lindos olhinhos que insistiam em me fitar. Fez-me um gesto de carinho, eu estava emocionado, não sabia o que falar, não sabia o que pensar.



Meus pensamentos estavam numa grande confusão, vi a corrente, o tronco, as minhas mãos que vingavam, vi o chicote, a serpente errando o bote… senti um aperto no coração, as minhas mãos calejadas pelo machado, pela enxada, minhas mãos não matariam, não haveria vingança, pois meu Deus não permitira que morresse essa criança.



Assim o tempo passou, de rapaz forte de antes, bem pouca coisa restou, até que um dia chegou e Benedito acabou…, 
mas do outro lado da morte eu encontrei nova vida, mais longa, muito mais forte, mais de amor e de perdão, os sofrimentos de outrora já não importam agora, por que nada foi em vão… Fomos mártires nessa vida, desta Umbanda tão querida, religião do coração, da paz, do amor, do perdão”.



Pai Ronaldo Linares
Fonte: JUS – Jornal de Umbanda Sagrada

http://www.jornaldeumbandasagrada.com.br/

quinta-feira, 2 de julho de 2009

UMBANDA PORQUE NÃO TE RESPEITAM



A Umbanda foi fundamentada em 1908, pelo médium Zelio de Morais, que contava com apenas dezessete anos.


Na época em que Allan Kardec já havia fundamentado o espiritismo, através de suas espetaculares obras, como por exemplo o Livro dos Médiuns, o Livro dos Espíritos e sua maior obra o Evangelho segundo o Espiritismo, entre outras tantas, existia uma grande falha, tinha acesso às reuniões apenas a elite privilegiada.

Foi então que um espírito, trabalhador incansável da seara do Senhor, recebeu a missão de levar a luz para as classes menos privilegiadas, sua missão seria fundamentar uma religião espírita, cujas raízes viriam da distante África, seria o culto aos Orixás Naturais, já realizado pelos escravos agora libertos.

Só que deveria seguir as mesmas Leis de Amor que Nosso Senhor Jesus Cristo deixou fundamentadas em seu evangelho.
Engana-se quem acha que Nosso Sr. Jesus Cristo nada tem a ver com a Umbanda, pois sendo ELE nosso regente planetário, nada em nosso planeta se estabelece, sem a sua autorização e benção.

O espírito escolhido, comandaria as falanges dos caboclos das Sete Encruzilhadas, sendo este o nome que usaria, escolheu um médium que ainda nem ao menos sabia que era, e foi numa mesa kardecista que comunicou a sua missão.

A Umbanda por ele fundada nada tem a ver com a grande maioria dos centros umbandistas atuais. Uma religião só tem razão de ser se antes de mais nada praticar a evolução espiritual de seus adeptos. Infelizmente não é isso o que acontece, vemos uma fila imensa de pedidos materiais ou amorosos, quando não é procurada por aqueles que querem vingança para seus desafetos.

Pobres coitados os médiuns que se prestam a este papel seus verdadeiros guias se afastam e espíritos trevosos passam a incorporar usando nomes falsos muitas vezes até o nome dos guias que se afastaram.

Quantas dívidas irão amargar estes médiuns, cegos só veem as vantagens materiais que irão obter de seus seguidores, seguindo seu tortuoso caminho espalham sementes malignas por todos os lados, enlameando o nome da Umbanda.

Graças a Deus, existem espalhados pelo nosso Brasil, vários templos sérios, contudo perto do número imenso de templos desvirtuados eles são muito poucos, difícil é propagar uma Umbanda de Amor, difícil explicar que suas Leis são as mesmas que Nosso Senhor Jesus Cristo deixou.

Difícil mas não impossível, falta a união entre estes templos sérios, seguidores da verdadeira Lei, não importa a distância,
nos dias de hoje os meios de comunicação estão bastante adiantados.

Irmãos que são verdadeiros Umbandistas, que sentem o Amor Universal dentro de si, não esmoreçam, não se entreguem, unam-se, não existe o melhor ou o mais forte, pois a verdadeira força depende sempre do Amor e da Fé de cada um.

Façam com que aquele caboclo das Sete Encruzilhadas, tenha orgulho de vocês, que Nosso Senhor Jesus Cristo e Pai Oxalá os abençoem, vocês não estão sozinhos nesta luta.

Texto ditado por Aspargos, defensor das Leis de Cristo.

02-07-09

Postado por Luconi e Edson.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

BUSCANDO MEU ORIXÁ







“Quando eu andava pelo deserto, eu ouvi uma voz de longe me chamar...”Ele andava triste, por muito tempo buscava uma resposta para suas aflições religiosas. Temia que sua fé minasse a ponto de não mais bater cabeça... quando aconteceu este encontro.

Em meio ao perfume das ervas queimando na brasa, ao som dos atabaques, penumbra iluminada por velas, ele ajoelha e desaba:

- Vovô, já não aguento mais...-
O que te aflige meu fio?
- Vô, eu amo os Orixás, não tenho dúvida. Mas passei por tantas desilusões, fui enganado por pessoas que se diziam mestres no culto aos Orixás, ostentando todo tipo de títulos e artefatos. Sei que de certa forma aprendi coisas, mas no fim sempre uma desilusão...

- Continue meu fio...Em lágrimas ele recobra o fôlego e prossegue.

- Então meu velho, já deitei pro Santo, já assentei Orixás, já passei por muitos fundamentos quando eu cultuava o Orixá em outro segmento que não era Umbanda. Hoje não sei como fazer, de uns tempos pra cá começou meu Caboclo se manifestar, descobri que amo a Umbanda e este é meu caminho, o Caboclo disse que devo me fundamentar na Umbanda e devo assentar meus Orixás. Acontece que meus assentos foram confiscados pelo meu último Babalaô. Acho que meus Orixás estão bravos, estão me cobrando, tenho certeza!

- Meu fio, o que eles cobram?
- Não sei meu velho.
- Então vois zuncê vai pagar o que nem sabe que deve?
- Veja meu velho, como estou confuso. Acredito que preciso assentar meus Orixás para me acalmar. Como faço isso?
- Hehe...É meu fio, vois zuncê ta numa encruza mesmo! Intonce, aquiete seu coração, sinta este cheiro de ervas queimando e escuita com atenção o que este velho nego tem pra te fala...

- Meu velho, sou toda atenção, obrigado... – disse ele em prantos.

- Meu fio, os homens nessa terra tem uma necessidade constante de criar formas para expressar-se, neste caso, o nego vai se ater na religião. Por isso muitas são as formas de cultuar os Orixás, muitas mesmo, e é certo que muitas práticas, nem mesmo sendo tolerante às diferenças, é possível aceitar. Pois meu fio, quando o amor não for o caminho e o bom senso não for o limite, intonce muito problema vai acontecer. Sabe fio, esse velho conheceu os Orixás na antiga áfrica, e lá era tudo muito diferente, simplesmente diferente, não me arriscaria a dizer que melhor, pois assim o nego negaria a evolução constante. Este contato da minha alma com essa luz que chamamos de Orixás mudou a existência do nego, e de tanto que amo e sinto-me bem, após minha passagem para o mundo espiritual, insisti para que Olorum me deixasse perto dos seus Orixás. Sou feliz por isso fio, porque nosso Criador me ouviu. E foi assim que este velho aprendeu algumas coisas simples. Na carne este nego procurou muito os Orixás pela vida, por entre as coisas da Terra, minha Yá tinha ensinado que os Orixás estavam na Natureza, mas como eu não fugia à regra geral, entendia que essa natureza seria o plano físico da arvore, mata, água, fogo, hehe. Como que se eu tendo um pouco da água eu teria “aprisionado” o Orixá. Entendi já aqui no mundo espiritual fio que Orixá não está fora de nós, mas encontra-se dentro. Ele extrapola nossos poros e nos toma por inteiro quando entendemos e reconhecemos isso. Fio, Orixá é a essência de tudo o que você vê, escuta e sente, está muito além destes parcos sentidos humanos e muitíssimo além da nossa razão humana. Mesmo este velho tentando explicar Orixá, cometo um erro, pois sei meu fio, que Orixá não se explica, se sente. Mas como já disse, precisamos criar formas, então fio, que a sua forma seja a mais próxima do abstrato e do sutil, porque assim talvez esteja próximo do que seja Orixá. Por isso meu fio não se apegue tanto às formas de como cultuam ou assentam os Orixás, principalmente quando lhe ensinam métodos que não encontra aceitação no seu coração. Os Orixás falam ao coração, intonce é ele que você deve escutar para saber como encontrará os Orixás. Se, por exemplo, você qué assentar um Orixá das matas, vá numa mata, sinta o cheiro das folhas, toque elas, converse com o Orixá, cante, dance, colha as folha, cipó, raízes, terra, vai pegando um pouquinho do que tem lá, porque isso simboliza o tal Orixá fragmentado na natureza, com isso monte um espaço onde colocará isso e lá você reza pro tal Orixá. Entendeu meu fio?

Ele soluçando e enxugando as lágrimas com a voz embargada responde:
- Meu velho, vovô querido, muito obrigado. Agora sinto o Orixá dentro de mim. Entendi sua mensagem e não sei como agradecer.

.- Fio não tem de quê. Agora vai ao encontro de si mesmo para encontrar os Orixás. Seja feliz meu fio por entender que da essência só bebe aqueles que amam simplesmente por não saber explicar. E sempre que irmanados os filhos deste plano estiverem, sem máscaras, sem receios, sem pretensões, lá, através do coração sincero de cada um, o Orixá se manifestará. Todos vocês são filhos de Orixá e adotados por todos os Orixás do Universo, somos filhos dos Pai e Mães Celestiais e nada existe sem a relação harmoniosa e contínua de todos Orixás num emaranhado perfeito. E se buscas o “teu” Orixá, então o encontra dentro de ti! Saravá!

E assim, com três estalos de dedo, o Velho sacudiu seu médium, retornando para sua Aruanda, uma sensação de paz profunda pairava no ambiente e o atabaque secou o couro, um silêncio se fez no ar e podia ouvir o crepitar do fogo nas velas, este silêncio eram os Orixás falando ao coração de cada um presente naquela gira.


De vovô Benedito por Rodrigo Queiróz

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

MENSAGEM DA COMEMORAÇÃO DO INICIO DA ERA CRISTÃ - NATAL


Irmãos amados unidos na fé, de Nosso Criador, Deus, atuando dentro da corrente do sagrado Oxalá yê, através da Umbanda sagrada e de Jesus Cristo, através do Cristianismo, duas correntes religiosas fortíssimas na Terra, uma é natural, a outra é abstrata, mas as duas defendem e propagam a Lei da Vida através do amor.

Hoje vocês têm a oportunidade de reunirem-se dentro do ritual do sagrado Oxalá yê, para comemorarem o início da era cristã, através do nascimento do não menos sagrado Nosso Senhor Jesus Cristo, e é tão bonitas duas corrente religiosas diferentes, unirem-se para a comemoração de uma delas, que nós espíritos desencarnados atuantes das esferas da mesa branca, nos emocionamos e nos confraternizamos com os espíritos labutadores da Umbanda.

Sim, nós deste outro lado da vida sempre fomos ajudados e ajudamos os espíritos que incorporam a Umbanda
aliás, estes mesmos orixás sagrados, há dois mil anos atrás auxiliaram e sustentaram a nova religião nascente, certos que Deus Onipotente mandava um novo mensageiro de Luz a Terra, para o auxílio da evolução de milhões e milhões de espíritos.

Infelizmente na Terra a maioria dos seguidores das diferentes correntes religiosas é radicalista e se digladiam entre si, que pena perdem tempo precioso que deveriam aproveitar para evoluírem dentro da corrente religiosa que suas missões foram destinadas.

Por isso irmãos hoje aqui nós agradecemos pela nossa vitória, Umbandistas e Kardecistas que aqui se mesclam e amam e respeitam seus dois anjos de Luz, que se assentam na linha da fé, à direita do Pai Poderoso, como outros anjos de Luz, que fundaram correntes religiosas a Lei da Vida e do Amor, não importando o nome que deram ao Criador, Deus, Jeová, Alá, Olorum, Zambi e alguns outros.


Obrigada irmãos obrigada, todos nós da Umbanda e da Mesa Branca, corrente Kardecista, agradecemos e pedimos a vocês que continuem a luta, não desanimem, não deixem o emocional envolvê-los com sentimentos negativistas, a luta é difícil em todos os setores da vida, mas se vocês desistirem perderão a união que faz a força, por isso não desistam é através da vontade de ajudar os seus irmãos que vocês criarão a arma mais poderosa que pode existir, a arma da Fé, regida pela Lei do Amor racional e justo.


Deus os abençoem, Salve Jesus Cristo e Salve Oxala yê.

Salve a todos.



Ditado por Aspargos
em 20/12/2000