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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

BUSCANDO MEU ORIXÁ







“Quando eu andava pelo deserto, eu ouvi uma voz de longe me chamar...”Ele andava triste, por muito tempo buscava uma resposta para suas aflições religiosas. Temia que sua fé minasse a ponto de não mais bater cabeça... quando aconteceu este encontro.

Em meio ao perfume das ervas queimando na brasa, ao som dos atabaques, penumbra iluminada por velas, ele ajoelha e desaba:

- Vovô, já não aguento mais...-
O que te aflige meu fio?
- Vô, eu amo os Orixás, não tenho dúvida. Mas passei por tantas desilusões, fui enganado por pessoas que se diziam mestres no culto aos Orixás, ostentando todo tipo de títulos e artefatos. Sei que de certa forma aprendi coisas, mas no fim sempre uma desilusão...

- Continue meu fio...Em lágrimas ele recobra o fôlego e prossegue.

- Então meu velho, já deitei pro Santo, já assentei Orixás, já passei por muitos fundamentos quando eu cultuava o Orixá em outro segmento que não era Umbanda. Hoje não sei como fazer, de uns tempos pra cá começou meu Caboclo se manifestar, descobri que amo a Umbanda e este é meu caminho, o Caboclo disse que devo me fundamentar na Umbanda e devo assentar meus Orixás. Acontece que meus assentos foram confiscados pelo meu último Babalaô. Acho que meus Orixás estão bravos, estão me cobrando, tenho certeza!

- Meu fio, o que eles cobram?
- Não sei meu velho.
- Então vois zuncê vai pagar o que nem sabe que deve?
- Veja meu velho, como estou confuso. Acredito que preciso assentar meus Orixás para me acalmar. Como faço isso?
- Hehe...É meu fio, vois zuncê ta numa encruza mesmo! Intonce, aquiete seu coração, sinta este cheiro de ervas queimando e escuita com atenção o que este velho nego tem pra te fala...

- Meu velho, sou toda atenção, obrigado... – disse ele em prantos.

- Meu fio, os homens nessa terra tem uma necessidade constante de criar formas para expressar-se, neste caso, o nego vai se ater na religião. Por isso muitas são as formas de cultuar os Orixás, muitas mesmo, e é certo que muitas práticas, nem mesmo sendo tolerante às diferenças, é possível aceitar. Pois meu fio, quando o amor não for o caminho e o bom senso não for o limite, intonce muito problema vai acontecer. Sabe fio, esse velho conheceu os Orixás na antiga áfrica, e lá era tudo muito diferente, simplesmente diferente, não me arriscaria a dizer que melhor, pois assim o nego negaria a evolução constante. Este contato da minha alma com essa luz que chamamos de Orixás mudou a existência do nego, e de tanto que amo e sinto-me bem, após minha passagem para o mundo espiritual, insisti para que Olorum me deixasse perto dos seus Orixás. Sou feliz por isso fio, porque nosso Criador me ouviu. E foi assim que este velho aprendeu algumas coisas simples. Na carne este nego procurou muito os Orixás pela vida, por entre as coisas da Terra, minha Yá tinha ensinado que os Orixás estavam na Natureza, mas como eu não fugia à regra geral, entendia que essa natureza seria o plano físico da arvore, mata, água, fogo, hehe. Como que se eu tendo um pouco da água eu teria “aprisionado” o Orixá. Entendi já aqui no mundo espiritual fio que Orixá não está fora de nós, mas encontra-se dentro. Ele extrapola nossos poros e nos toma por inteiro quando entendemos e reconhecemos isso. Fio, Orixá é a essência de tudo o que você vê, escuta e sente, está muito além destes parcos sentidos humanos e muitíssimo além da nossa razão humana. Mesmo este velho tentando explicar Orixá, cometo um erro, pois sei meu fio, que Orixá não se explica, se sente. Mas como já disse, precisamos criar formas, então fio, que a sua forma seja a mais próxima do abstrato e do sutil, porque assim talvez esteja próximo do que seja Orixá. Por isso meu fio não se apegue tanto às formas de como cultuam ou assentam os Orixás, principalmente quando lhe ensinam métodos que não encontra aceitação no seu coração. Os Orixás falam ao coração, intonce é ele que você deve escutar para saber como encontrará os Orixás. Se, por exemplo, você qué assentar um Orixá das matas, vá numa mata, sinta o cheiro das folhas, toque elas, converse com o Orixá, cante, dance, colha as folha, cipó, raízes, terra, vai pegando um pouquinho do que tem lá, porque isso simboliza o tal Orixá fragmentado na natureza, com isso monte um espaço onde colocará isso e lá você reza pro tal Orixá. Entendeu meu fio?

Ele soluçando e enxugando as lágrimas com a voz embargada responde:
- Meu velho, vovô querido, muito obrigado. Agora sinto o Orixá dentro de mim. Entendi sua mensagem e não sei como agradecer.

.- Fio não tem de quê. Agora vai ao encontro de si mesmo para encontrar os Orixás. Seja feliz meu fio por entender que da essência só bebe aqueles que amam simplesmente por não saber explicar. E sempre que irmanados os filhos deste plano estiverem, sem máscaras, sem receios, sem pretensões, lá, através do coração sincero de cada um, o Orixá se manifestará. Todos vocês são filhos de Orixá e adotados por todos os Orixás do Universo, somos filhos dos Pai e Mães Celestiais e nada existe sem a relação harmoniosa e contínua de todos Orixás num emaranhado perfeito. E se buscas o “teu” Orixá, então o encontra dentro de ti! Saravá!

E assim, com três estalos de dedo, o Velho sacudiu seu médium, retornando para sua Aruanda, uma sensação de paz profunda pairava no ambiente e o atabaque secou o couro, um silêncio se fez no ar e podia ouvir o crepitar do fogo nas velas, este silêncio eram os Orixás falando ao coração de cada um presente naquela gira.


De vovô Benedito por Rodrigo Queiróz

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

MENSAGEM DA COMEMORAÇÃO DO INICIO DA ERA CRISTÃ - NATAL


Irmãos amados unidos na fé, de Nosso Criador, Deus, atuando dentro da corrente do sagrado Oxalá yê, através da Umbanda sagrada e de Jesus Cristo, através do Cristianismo, duas correntes religiosas fortíssimas na Terra, uma é natural, a outra é abstrata, mas as duas defendem e propagam a Lei da Vida através do amor.

Hoje vocês têm a oportunidade de reunirem-se dentro do ritual do sagrado Oxalá yê, para comemorarem o início da era cristã, através do nascimento do não menos sagrado Nosso Senhor Jesus Cristo, e é tão bonitas duas corrente religiosas diferentes, unirem-se para a comemoração de uma delas, que nós espíritos desencarnados atuantes das esferas da mesa branca, nos emocionamos e nos confraternizamos com os espíritos labutadores da Umbanda.

Sim, nós deste outro lado da vida sempre fomos ajudados e ajudamos os espíritos que incorporam a Umbanda
aliás, estes mesmos orixás sagrados, há dois mil anos atrás auxiliaram e sustentaram a nova religião nascente, certos que Deus Onipotente mandava um novo mensageiro de Luz a Terra, para o auxílio da evolução de milhões e milhões de espíritos.

Infelizmente na Terra a maioria dos seguidores das diferentes correntes religiosas é radicalista e se digladiam entre si, que pena perdem tempo precioso que deveriam aproveitar para evoluírem dentro da corrente religiosa que suas missões foram destinadas.

Por isso irmãos hoje aqui nós agradecemos pela nossa vitória, Umbandistas e Kardecistas que aqui se mesclam e amam e respeitam seus dois anjos de Luz, que se assentam na linha da fé, à direita do Pai Poderoso, como outros anjos de Luz, que fundaram correntes religiosas a Lei da Vida e do Amor, não importando o nome que deram ao Criador, Deus, Jeová, Alá, Olorum, Zambi e alguns outros.


Obrigada irmãos obrigada, todos nós da Umbanda e da Mesa Branca, corrente Kardecista, agradecemos e pedimos a vocês que continuem a luta, não desanimem, não deixem o emocional envolvê-los com sentimentos negativistas, a luta é difícil em todos os setores da vida, mas se vocês desistirem perderão a união que faz a força, por isso não desistam é através da vontade de ajudar os seus irmãos que vocês criarão a arma mais poderosa que pode existir, a arma da Fé, regida pela Lei do Amor racional e justo.


Deus os abençoem, Salve Jesus Cristo e Salve Oxala yê.

Salve a todos.



Ditado por Aspargos
em 20/12/2000



quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

A UMBANDA E OUTRAS RELIGIÕES

A Umbanda não foi codificada, como foi o kardecismo em sua origem por Hippolyte Leon Denizard Rivail (Livro dos espíritos, Livro dos médiuns, Evangelho Segundo Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese) a Umbanda foi manifestada e o kardecismo esclarecido, por isso temos muito a aprender com o Kardecismo sobre esclarecimento e eles muito a aprender conosco sobre manifestação.


Costumo dizer que se não temos uma “Bíblia Umbandista”, todos os livros sagrados da humanidade são nossos, para extrairmos o que eles tiverem de melhor, temos a liberdade de estudar a Bíblia Cristã, o Tora (Judeu), O Alcorão (Muçulmano), O Tao Te Ching (Chinês), O Zend Avesta (Persa), Os Vedas (Hindu) e tantos outros.


Não temos 10 mandamentos Católicos, mas nos basta apenas um mandamento: “Amar ao próximo como a si mesmo e Deus acima de todas as coisas”


Não temos sete pecados capitais (gula, avareza, inveja, ira, luxuria, orgulho e preguiça) porque não acreditamos em pecado, mas cremos em vícios e virtudes, nos sete sentidos da vida (Fé, Amor, Conhecimento, Justiça, Lei, Evolução e Geração) dentro de nosso livre arbítrio, onde o que se volta para o ego torna-se vicio.

Não temos 
dogma nem tabu, pois na Umbanda ninguém é obrigado a aceitar nada, mas o conhecimento vai sendo absorvido naturalmente e da mesma forma a própria religião evolui e se adapta.

Não é uma seita religiosa, é 
religião, portanto tem seus fundamentos próprios que devem ser esclarecidos. O conceito de seita é muito antigo e vem da época em que haviam religiões oficiais, onde aqueles que se opunham de alguma forma àquela liturgia, formando grupos dissidentes, eram chamados de seitas e portanto considerados “hereges”, à margem da sociedade...


...Podemos e devemos absorver o conhecimento de outras religiões, ampliando assim nosso universo espiritual. Na verdade temos a aprender com todos e todos têm a aprender conosco, quando a única religião for o Amor, o que existirão serão práticas diferentes deste Amor, Umbanda é a nossa prática do Amor...


...Cada um ou cada grupo umbandista realiza seus trabalhos, sessões, segundo seu ponto de vista, sem deixar de ser umbanda. Cada casa, templo ou tenda é diferente um do outro e todos são centros ou “igrejas de umbanda”. O que há em comum é a essência e não a forma!


Texto extraído de:

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

GUARDIÃO DO TEMPO



Ora vejam, quem vem lá, é um lindo guardião, que gira, gira, gira sem parar.

Ora vejam se não é um guardião que me parece prateado, ou será que é a sua luz,
que não me permite distinguir a verdadeira cor de suas vestes.

Vejam como ao girar um redemoinho se forma e ao passar vai levando toda treva e o ambiente iluminando.

Olhem como de repente a aura dos irmãos se clarearam e em seus semblantes se nota de repente uma certa paz que ali não estava antes.

 Ele não fala, mas eu sinto que poderia se não quisesse passar no anonimato.


 De repente, ele para a sua gira e me olha, sabe que eu o vejo e seus olhos sorriem.

 Aproxima-se e sua mão em minha testa coloca.

Agora eu sei, é um guardião do tempo, traz consigo toda sua falange, e no anonimato prestam grande caridade a estes filhos de Umbanda.

Mentalmente eu agradeço e ele sorri, e desta vez eu escuto:

Filhos que seguem a verdadeira Umbanda, com amor e caridade, levando a bandeira de Oxalá,
não têm que agradecer, nós é que agradecemos por vocês não desistirem da luta, não se esqueçam Maior é Deus.



Ditado por um amigo
05-12-08