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domingo, 31 de agosto de 2008

DIÁLOGO COM UMA PRETA VELHA


ENTENDENDO A LIBERDADE



Dia desses estava pensando sobre a liberdade que existe no templo religioso que eu freqüento. Explico:



A Entidade espiritual de chefia do templo, apesar de seu médium seguir uma determinada vertente da umbanda e de aplicá-la na forma de funcionamento e de dinâmica de trabalhos do cujo, não inibe e nem proíbe de forma nenhuma que seus filhos de fé venham a estudar outras vertentes da umbanda.



Estava mesmo a divagar tentando entender o porquê da Entidade chefe permitir o acontecimento deste tipo de situação no templo, por que a meu ver muitas vezes a pluralidade não significa obrigatoriamente conhecimento e evolução ordenados.



Eu estava a pensar, pensar e pensar quando de repente, numa espécie de sonho acordado, eu me vi na frente de uma negra velha, que estava numa cadeira de balanço a se mexer para lá e para cá.

 Sem pensar duas vezes ajoelhei-me na sua frente, cruzei o solo na minha frente e me atrevi a lhe dizer:



A bênção Vovó.



Zambi que lhe dê luz e forças, mas pode ficar de pé, zifio.



Sim senhora.



Suncê é bastante curioso e perguntador, não é zifio?



E bastante “quadrado” eu respondi:



É vovó…



Essa nega véia pode fazer uma pergunta pra suncê?



Mas é claro, sim senhora!



Zifio, onde é que está a liberdade?



A liberdade? Sinceramente eu não sei.



A liberdade está no dinheiro?



Penso que não porque existem muitos ricos que encontram-se encarcerados no materialismo.



E estará ela na pobreza, zifio?



No meu modo de ver não porque existem muitos pobres, materialmente falando, que se encontram presos às reclamações, insatisfações e desesperanças do seu dia-a-dia.



E por acaso ela estaria no amor?



Acho que não porque existem muitas pessoas com amor de mais ou de menos por alguém, mas que se encontram presos ao desamor por si próprias.



Então zifio, onde está a liberdade?



É como eu lhe disse vovó, sinceramente eu não sei?



Como não zifio se suncê acabou de responder pra esta nêga?



Eu?



Claro, não foi suncê que acabou de dizer que o dinheiro e o amor não libertam ninguém se por dentro os zifios se sentirem presos a visões deturpadas sobre qualquer um dos sete sentidos da criação divina que são: conhecimento, lei, justiça, fé, evolução, amor e vida?



Eu disse isso vovó?



Claro, suncê não acabou de dizer pra nêga que ter alguém para amar necessariamente não torna o amante livre se ele estiver preso ao desamor por si próprio?



Sim.



E isso não quer dizer que este amante encontra-se com a visão deturpada no que diz respeito ao divino sentido da criação divina que é o amor?



Sim.



Então suncê respondeu mesmo pra nêga onde é que tá a liberdade.



Como assim?



Ora zifio a liberdade tá dentro de suncês, na luta que ocês deve fazer a cada dia pra se libertar de seus vícios, mazelas, imperfeições e erros no que diz respeito à Lei Maior e à Justiça divina.



 A liberdade é questão de suncês procurar conhecer e praticar cada vez mais as verdades sobre a lei de amor e caridade.

 É como disse o Homem grande da cruz né zifio: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará".



É verdade vovó.



Se suncê sabe que é verdade, porque estava questionando a forma como o mano que é o chefe espiritual da casa de caridade que suncê freqüenta lida com a maneira como os cavalinhos, que é seus filhos de fé, busca o estudo e o conhecimento sobre a religião que suncês professam?



Eu não estava questionando, sabe vovó, estava querendo é entender.

 E quem não entende questiona para que possa alcançar entendimento, não é?

 E eu visivelmente envergonhado e boquiaberto com a sabedoria daquela Entidade amiga respondi:



É vovó.



Não se envergonhe nunca de querer questionar o que não entende porque todo questionamento que busca um aprendizado sobre as coisas de Zambi é notadamente válido.



 Só não se esqueça que o conhecimento de muitas coisas só acontece com o tempo e que o conhecimento de outras leva tanto mais de tempo que uma encarnação não é suficiente para aprender.

 Peça sempre ao Criador que lhe dê sabedoria para discernir uma situação de outra e humildade para aceitar o que ainda não for lhe permitido conhecer.



Sim senhora, vou procurar fazer minhas preces cada vez mais pedindo a sabedoria e a humildade para minha vida.



Muito bom zifio e Zambi que lhe proteja e lhe guarde.

 Agora zifio responde pra esta nêga véia: um copo com água possui qual líquido em seu interior?



Com todo o respeito do mundo que tenho a toda e qualquer Entidade espiritual, mas esta pergunta da vovó parecia ter a resposta tão óbvia que eu comecei a pensar se ela estava deixando de falar coisa com coisa.

 Mesmo assim, e com todo o respeito eu lhe respondi:



Água.



E se suncê derramar esta mesma água em cima de uma mesa, qual líquido você verá derramado na mesa?



Água.



E se suncê retirar a água da mesa e jogá-la no chão, qual líquido estará derramado no assoalho?



Água.



E por último zifio, e se suncê passar um pano no chão e retirar toda a água, qual líquido estará no pano?



Água.



A mesma água que estava dentro do copo, não é zifio?



Isso.



— Suncê deve tá achando que por tanto falar em água, ou nêga véia é doida ou então tá morrendo de sede, não é zifio?



Meu Deus, como eu ri neste momento.

 Ri mesmo, ri de doer o abdômen e pensei comigo mesmo: Meu Deus, como tua criação é perfeita!!! Que conversa maravilhosa e que Entidade maravilhosa!!! E só depois deste breve, mas sincero agradecimento foi que eu olhei para a vovó e respondi.



Olha vovó para ser sincero com a senhora eu devo dizer que pelo fato de não estar entendendo aonde a senhora quer chegar com esta história de água eu cheguei a pensar mesmo que a senhora não estava dizendo coisa com coisa.



É zifio muitas vezes a ansiedade faz suncês pensar e até mesmo dizer coisas bastante malcriadas.



Olha vovó, a senhora me perdoe é que eu só quis ser sincero e…..



Eta zifio essa nêga véia não tava falando de suncê não.

 Na verdade com toda essa história de água esta nêga quer explicar pro zifio uma coisa que pra suncê entender de fato, nêga tem que fazer mais uma pergunta: zifio, seja no copo, na mesa, no chão ou no pano, em algum momento a água deixou de ser água?



Não.



Então zifio, suncê pôde perceber que a essência, que é a água, não mudou; o que mudava era a forma da água porque ela sendo um líquido tinha que se amoldar aos locais em que era inserida; assim, dentro do copo a água estava na forma de copo, no pano a água estava em forma de pano e o mesmo acontecia com a água em cima da mesa e no chão, certo?



É verdade.



Então zifio, entenda que com as vertentes da umbanda a mesma história de essência e forma também se aplica, entende?



— Mais ou menos.



Nêga véia então tenta explicar pra suncê: zifio ao fundar na terra a religião de umbanda o mano Sr. Caboclo das Sete Encruzilhadas fez a melhor definição sobre a essência desta religião que poderia existir: “umbanda é a manifestação do espírito para a caridade”.

 A caridade zifio, foi, é e sempre será a essência desta amada religião que suncê professa; mas a forma pela qual esta essência se mostra zifio é muito variável.



Pra nóis aqui no plano espiritual zifio não interessa a forma, nóis tamo é preocupado com a essência.

 Pra nóis não interessa a forma da umbanda: se ela é umbandaX, umbandaY ou umbandaZ; pra nóis o que interessa é se a prática e manifestação desta prática umbandista leva única e exclusivamente a caridade e ao “religare”(volta dos filhos para Deus) dos filhos de fé com Zambi nosso Pai.

 Entendeu, zifio?



Sim senhora.



E o mano que é o chefe do templo religioso onde suncê freqüenta é ancestralmente um ordenador da fé; e o que importa pro mano zifio é se suncês estão encontrando a ordenação da fé de suncês através da essência da umbanda que é a prática da caridade e se isso acontece zifio, o mano tá pouco se importando se um cavalinho que tá fazendo a caridade no templo religioso estuda a umbandaX, ou se outro cavalinho faz curso da umbandaY.

 Pro mano e pra nóis que suncês chama de Entidades isto são só rótulos e rótulos só servem para indicar conteúdos.

 Agora se o rótulo de um cavalinho que faz estudadô de umbanda designar como principal conteúdo deste a essência da caridade, então pra nóis e pro mano tá muito formoso.

 Entende zifio?



Sim senhora.



— Agora o que suncês que são cavalinho, que faz estudadô de umbanda disso e umbanda daquilo não pode e nem deve esquecer é que o mano que chefia os trabalhos do templo umbandista que suncê freqüenta vem preparando o cavalinho dele desde a ancestralidade para que exerça a divina e árdua tarefa de ser sacerdote e para que administre o templo da exata forma com a qual ele vem sendo administrado; e se o cavalinho dele encontrou seu “religare” com o Divino Criador através do estudo e prática no templo religioso da umbandaX, então suncês demais cavalinho têm a obrigação de, minimamente dentro do templo religioso, estudarem, trabalharem e procurarem a ordenação da fé de suncês através da vivenciação e prática da forma umbandista que o sacerdote do templo que vocês freqüentam também adotou que, no caso, é a umbandaX. Entende zifio?



Sim senhora.



Pois então pratique e respeite isto que esta nêga pede a suncê, pra que suncês também sejam respeitados.

 Entende?



Sim senhora.



— Respeite sempre o espaço religioso e a forma de trabalho do templo que você freqüenta.

 São os cavalinhos que têm de se adaptar a forma de ser de um templo religioso e jamais, e sob nenhuma condição, o oposto.

 Agradeça sempre a Zambi pela liberdade que existe no templo em que você freqüenta, entenda que esta liberdade exterior que existe para que suncês possam estudar da umbanda a forma que mais agrade suncês, nada mais é do que um jeito da entidade que chefia o templo permitir que cada um dos zifio possa alcançar a verdadeira liberdade, que é aquela que leva suncês ao conhecimento e a prática cada vez mais intensas sobre as leis de amor e caridade. Entende?



Sim senhora.



Use esta liberdade com sabedoria e respeitando as normas e a forma de trabalho do templo religioso que suncê freqüenta, buscando sempre a fraternidade e o companheirismo com os seus irmãos de fé sem jamais promover a divisão neste espaço sagrado.

 Jamais se esqueça zifio que todo estudo relacionado às essências das coisas sobre o divino, mesmo que sejam de formas diferentes, serve tão somente para a união cada vez maior dos filhos de fé e jamais para promover o separatismo.

 Entende?



Sim senhora.



Deus é amor.

 O amor une.

 A união liberta.

 A liberdade nos torna responsáveis pela propagação deste abençoado amor que é a caridade.

 Pouco importa a forma, importante mesmo é ao próximo fazer o bem.

 Entendeu zifio ?



E eu, com lágrimas nos olhos respondi:



Sim senhora.



Então saravá, zifio.



 Fique na força e na luz de Zambi nosso Pai.



Saravá vovó de meu coração, vá com Deus.



Gente, não sei precisar por quanto fiquei neste “sonho acordado” , só sei que quando dele eu despertei meus olhos estavam realmente banhados em lágrimas.

 Foi a partir daí que eu me pus a pensar: cada linha de trabalho na umbanda tem o seu encanto e merece todo o nosso respeito, agora dos nossos amados pretos-velhos eu sou “fã de carteirinha”.

 Como é que pode?

 Perto deles eu só sinto vontade de evoluir, evoluir, evoluir e evoluir.

 Quando penso que a evolução é difícil e me sento perto de um deles eu consigo transmutar este pensamento e a achar que é tão fácil, tão fácil.

 Para mim Eles não são melhores que nenhuma outra linha de trabalho da umbanda, mas são os que mais despertam em meu íntimo o desejo de evolução.

 Só mesmo eles me fazem sentir tão cativo seus e ao mesmo tempo tão liberto, mesmo que momentaneamente, de minhas imperfeições.



Liberdade!!! 

Foi devido à incompreensão sobre este divino sentimento que obtive a oportunidade de temporariamente entrar em contato com um ser espiritual desta divina falange.

 E eu, que de alguma forma, até já me sentia livre, com os esclarecimentos, passei a entender melhor a verdadeira liberdade e, assim, a me sentir mais livre ainda !!!



Saravá a liberdade !!!!



Saravá a falange dos pretos-velhos !!!!



Saravá a Pai Tomé !!!!



Saravá ao Senhor Águia branca !!!



TEXTO ELABORADO POR PEDRO RANGEL DE SÁ



fonte: http://pedrorangelsa.blogspot.com/2008_01_01_archive.html

segunda-feira, 28 de julho de 2008

ANTES DE JULGAR, PROCURE CONHECER

centro Pai João de Angola




DESCUBRA ATRAVÉS DESTE TEXTO VERÍDICO , A VERDADEIRA ATUAÇÃO DE EXU E POMBA-GIRA DENTRO DE UM VERDADEIRO CENTRO DE UMBANDA.


Carlos se dirige a um Centro de Umbanda aconselhado por um amigo, pois a sua vida está bastante complicada.


 Sua mãe vive doente, já tendo ido a diversos médicos sem sucesso na cura.
 O seu pai foi demitido da empresa que trabalhava há mais de 25 anos e vive deprimido e chorando pelos cantos.


 Ele mesmo desempregado há três anos, vê o seu filho adoecer sem condições de comprar o medicamento.
 A sua esposa, única ainda empregada, apresenta sérios indícios de fadiga mental e física.


Ao chegar no centro descobre que é dia de consulta com Preto Velho.


 O seu amigo Cláudio, vai explicando a rotina da casa e como ele deve agir e pedir na hora da consulta.


Chega finalmente a sua vez de se consultar, o seu pensamento está coberto de dúvidas, achando que estava chegando ao fundo do poço ao se dirigir a um terreiro de macumba, falar com uma pessoa que nunca viu antes na vida e abrir o seu coração, suas dúvidas e temores.


Num primeiro momento acha graça da posição do médium todo curvado e do jeito de falar, não consegue se aquietar, mas o Preto Velho vai aos pouquinhos ministrando alguns passes e por fim Carlos começa a se abrir.


O Preto Velho a tudo ouve, manifestando de tempos em tempos palavras encorajadoras para o aflito Carlos.

Carlos não entende o por que, mas enquanto ele fala, o Preto Velho vai estalando os dedos em volta dele, olha discretamente para o copo d’água ao lado da vela, joga para cima a fumaça de seu cachimbo, e assim vai firmando e passando as informações para os guardiões que pertencem a egrégora da Casa, que através dos Exus de trabalho partem com a velocidade do pensamento para a casa de Carlos.


Em dado momento, o Preto Velho que está “preso” ao corpo carnal do médium e conseqüentemente com sua visão limitada, utiliza alguns elementos magísticos e ritualísticos para proporcionar alívio ao Carlos.


Diz no final da consulta que irá trabalhar para ele e toda a sua família, dá algumas recomendações sobre como rezar e elevar o pensamento a Deus e se despedem.


Carlos tem alguma sensação de alívio, sente-se mais leve e confiante, mas ao mesmo tempo não acredita que meia dúzia de estalar de dedos vão “resolver” o seu problema…


 Incrédulo, mas não tão fraco retorna a sua casa sem nem imaginar que a batalha está apenas começando.


O Preto Velho ao ver Carlos se levantar e ir embora sabe que a essa altura toda a egrégora da Casa já está se preparando para a batalha, e, apesar de ainda estar preso ao corpo do médium pelo processo de incorporação, pôde perceber que será grande.
 Mas ainda há o que ser feito em terra… Precisa descarregar o seu aparelho e o terreiro.


Terminado o saravá ele parte indo se unir com os outros membros da egrégora.


Com o término dos trabalhos, os médiuns começam a ir embora e no Terreiro de Umbanda se faz silêncio.
 Mas um silêncio apenas aos ouvidos humanos, pois os sons ali emitidos estão numa freqüência diferente dos sons conhecidos nessa Terra. E os médiuns pensam: “A gira terminou.”


Não meus caros, a “gira” está apenas começando.
 A egrégora da Casa está reunida dentro do terreiro aguardando o retorno dos Exus de Trabalhos com as informações reais de cada consulta que foi realizada.


Os Exus vão retornando, um a um.
 O Mentor da Casa assiste e faz intervenções quanto às deliberações do Alto, e os Chefes de Linha estabelecem o famoso “quem vai fazer o que”.
 Tudo isso ocorre em ambiente absolutamente harmônico e organizado.
 Exus, Caboclos e Pretos Velhos trocam impressões a respeito dos problemas apresentados e deliberam.


Mas, voltando ao nosso amigo Carlos. (Nesse momento vou dar nomes fictícios também as entidades envolvidas nesse trabalho.
 Digamos que o Preto Velho que atendeu Carlos chama-se Pai Benedito e o Exu de Trabalho chamado por ele foi Exu Marabô).


Quando Exu Marabô retorna com as informações a respeito do que encontrou na casa de Carlos, o diálogo que se dá é o seguinte:
Marabô: É, Pai Benedito, a situação lá está bem complicada.
Pai Benedito: Eu já suspeitava. O que você viu?
Marabô: A casa do moço Carlos foi totalmente absorvida por uma rede de energia que tem seres bem grotescos mantendo-a firme.
 Segui buscando a origem dessa rede e me deparei com uma construção logo acima da casa. Adentrando ao recinto vi uma inteligência poderosa por trás disso, mas sem nenhuma relação direta com nenhum dos envolvidos. Buscando entender a “trama” continuei procurando o porque daquilo e encontrei uma mulher bastante dementada, com um aparelho acoplado em sua nuca e pude “ler” seus pensamentos e “sentir” seus desejos que eram de vingança para com o pai carnal do moço Carlos.
 Vi também que eles ainda não sabem que o moço Carlos veio aqui no terreiro.
 Bem, em resumo: A inteligência envolveu essa pobre infeliz e prometendo-lhe “devolver” o pai do moço Carlos pra ela e suga suas energias que é retro-alimentada pelo sentimento de culpa que o pai do moço Carlos tem.
 Parece que foi uma aventura dele na juventude, só não me preocupei em saber se desta ou de outra vida, pois achei que os dados que tinha já eram suficientes para podermos trabalhar.
Pai Benedito: Sim, sim… Mais do que suficientes! Não estamos aqui para julgar ninguém.
 Isso cabe ao Pai. Bem, nesse caso teremos que destruir essa construção, mas precisamos primeiro recuperar a moça, e já que o pai de Carlos está involuntariamente retro-alimentando a construção, precisaremos de recursos para auxiliar os familiares também.


Assim, Pai Benedito se dirige ao Caboclo Flecha Dourada, responsável pela corrente de desobsessão daquele terreiro e expõe a situação.


Imediatamente o Caboclo determina que a Pomba Gira Figueira irá utilizar os seus elementos magísticos para que a equipe de resgate da Casa recupere a moça e quem mais tenha condições de tratamento e a “equipe de força” destrua a construção e todos os equipamentos dentro dela.
Tarefas distribuídas, eles partem para a construção.
 Caboclos, Pretos Velhos e Exus guardam uma certa distância da construção e observam a Pomba Gira Figueira assumir uma configuração praticamente transparente.


Ao chegar perto da construção percebe-se sair de sua boca uma espécie de fumaça enegrecida que começa a tomar conta do ambiente.
 Logo atrás dela, homens empurram uma espécie de carrinho, que lembram os carrinhos usados em minas de escavação de carvão.
 Conforme a Sra. Figueira vai entrando no ambiente tomado por essa fumaça negra, os seres que lá estão caem em profundo sono, sendo resgatados pelos homens e colocados dentro dos carrinhos.
 A ação dela é rápida.
 Ninguém percebe a sua presença. Quando todos são resgatados, a Sra. Figueira começa a manipular a energia dos instrumentos dentro da construção mudando sua forma, plasmando outras energias e transformando os instrumentos em bombas auto-destrutivas. Finalmente sai da construção e os Exus que compõe a “tropa de choque” ou “equipe de força” passam a detonar a bomba e a destruir a construção e a malha que envolve a construção material na Terra e a prender os seres grotescos que dão sustentação a malha no ponto da construção material.


Caboclos e Pretos Velhos começam a tratar ali mesmo as inteligências retiradas da construção, colocando-os em macas e direcionando aos locais adequados aos tratamentos que irão receber, sob os olhos atentos dos Exus Guardiões, Amparadores e de Trabalho.
 Outros partem para a construção material e começam o trabalho individualizado entre os membros da família.
Exus fazem o trabalho de limpeza e descarga, resgatando os “perdidos”, para serem encaminhados para os trabalhos de desobsessão da Casa de Umbanda, abrindo espaço e dando condições vibratórias para o trabalho dos Caboclos e Pretos Velhos que é o de inspirar pensamentos de perdão ao pai de Carlos, de esperança no próprio Carlos, saúde e bons eflúvios na esposa e mãe de Carlos.


Através de passes magnéticos Caboclos e Pretos Velhos transformam o campo vibratório da casa e cuidam de seus moradores.
 Enquanto tudo isso ocorre a casa dorme, e todos são tratados em espírito.
 Enquanto isso os médiuns daquele terreiro também dormem em suas casas, mas alguns estão doando ectoplasma, auxiliando nos trabalhos de transmutação energética.
 Uns participando ativamente e outros observando e aprendendo, através do processo de desdobramento, assistem a boa parte dos trabalhos.
 Após o trabalho realizado o Mentor da Casa sorri.*******


É claro que todos sabem que de agora em diante e de acordo com o merecimento de cada um, de cada membro dessa família, tudo dependerá do quanto cada um irá lutar para melhorar, mas agora sem as “amarras” ou interferência do Astral Inferior.


A Umbanda através de uma ação conjunta dos componentes da egrégora de uma Casa de Umbanda pôde proporcionar alívio, conforto e libertação aos membros da família e auxílio aos irmãos perdidos nas trevas da ignorância, do ódio, do rancor, do remorso e da culpa.


Mesmo que Carlos nunca mais volte ao terreiro para agradecer a melhora, ou que nunca desperte para a ajuda que recebeu, mesmo que o pai de Carlos nunca se perdoe, a Umbanda se fez presente em Caridade e Amor!


Agora diga com sinceridade, após ler tudo isso você ainda acha que Exu é o Diabo?
Você acha que importa ficarmos discutindo se Exu, a Umbanda e seus Orixás vieram da Atlântida, da África ou do quintal da sua casa?
Se ainda lhe resta alguma dúvida eu afirmo a minha certeza: a Umbanda nasceu do Coração de Zambi em Sua Infinita Misericórdia por nós! Porque só a Umbanda tem quem nos defenda e proteja independentemente da nossa ignorância nos impedir de reconhecê-los como bons e amigos!


Obrigada Exu pela proteção, defesa e principalmente por ter tanta paciência com a nossa ignorância!Salve os nossos amigos, defensores e compadres! Saravá Exu e Pomba Gira! Laroyê Exu!
OBS: Essa história foi contada pela Pomba Gira Maria Padilha da 7 Encruzilhadas que trabalha na Egrégora do CECP, visando explicar algumas dinâmicas de trabalho.
 Os personagens dessa história receberam nomes fictícios. Fonte: http://www.caboclopery.com.br/


QUALQUER ESPÍRITO PODE INCORPORAR E DIZER SER EXU OU POMBA GIRA, MAS SÓ AQUELES QUE SEGUEM AS LEIS IMUTÁVEIS EM QUALQUER RELIGIÃO DO PAI ETERNO, É QUE O SÃO.

sábado, 21 de junho de 2008

CONVERSANDO SOBRE EXU

Dizem que Exu é um homem sério, castigador, espírito sem compaixão alguma. Muitos falam que nem mesmo sentimento essas entidades apresentam. Muitos temem Exu, relacionando – o com o Diabo ou com algum monstro cavernoso que a mente humana é capaz de criar.


Bem, dia desses, no campo santo de meu pai Omulu, vi algo inusitado que me fez pensar...
Um desses Exus Caveiras, que apresentam essa forma plasmada como meio de ligação a falange pertencente, chorava sobre um túmulo. Discretamente, isso devo dizer, afinal os Caveiras em sua maioria são de natureza recatada e introspectiva, mas chorava sim. Engraçado pensar nessa situação, não é mesmo? Ele chorava pelos erros do passado, chorava por uma pessoa a qual amava muito, mas não mais perto dele estava. Claro, sabia que ninguém morria, mas a saudade e o remorso apertavam fundo seu coração.


Isso acontece muito no plano espiritual, onde muitas vezes os laços são quebrados devido às diferenças vibratórias. Na verdade o laço não se quebra, apenas afrouxam - se um pouco...
Mas, voltando a nossa história, fiquei a pensar muito sobre aquele tipo de visão. Pensei que ninguém acreditaria em mim caso eu contasse esse “causo”, afinal, Exu é homem acima do bem e do mal, exu não tem sentimento, exu não chora...


E para aqueles então que endeusam “seu” Exu, pensando ser ele um grande guardião, espírito da mais alta elite espiritual, espírito corajoso, sem medos, violento guerreiro das trevas. Exu acaba assumindo na Umbanda um arquétipo, ou mito, tão supra – humano, que muitas vezes ele deixa de ser apenas o mais humano das linhas de Umbanda. Arquétipo esse, diga – se de passagem, muito diferente do Orixá Exu, arquétipo base para a formação do que chamamos de Linha de Esquerda dentro do ritual de Umbanda.


É, eu acho que todo Exu chora. Assim como eu e você também. Inclusive, todo mundo chora, pois todos temos dores, remorsos e tristezas. Isso é humano. Mas, voltando ao campo santo...
Logo vi um Exu, vestindo uma longa capa preta, se aproximar do triste amigo Caveira. O que conversaram não sei, pois não ouvi, e muito menos dotado da faculdade de ler os pensamentos deles eu estava. Mas uma coisa é certa: Os dois saíram a gargalhar muito!


“Engraçado, como é que pode? Tava chorando até agora, e de repente sai rindo de uma hora pra outra?” _ pensei contrariado.
Fiquei alguns dias refletindo sobre isso, e cheguei a uma conclusão. A principal característica de um Exu é o seu bom – humor. Afinal, mesmo em situações muito complicadas, eles sempre têm uma gargalhada boa para dar. Na pior situação, mesmo que de forma sarcástica, eles se divertem. Ele pode escrever certo por linhas tortas, errado por linhas retas, errado em linhas tortas ou sei lá mais o que, mas uma coisa é certa, vai escrever gargalhando.

Admiro esse aspecto de Exu. Tem gente que de tanto trabalhar com Exu torna – se sério, “faz cara de mau”, vive reclamando da vida além de tornar – se um grande julgador.
A verdade é que nunca vi Exu reclamar de nada, nem julgar a ninguém. Pelo contrário, o que vejo é que Exu nos ensina a não reclamar da vida, pois tem gente que passa por coisa muito pior e o faz com honra e... Bom – humor!


Vejo também que Exu não julga ninguém, afinal, quem é ele, ou melhor, quem somos nós para julgarmos alguém? Exu ensina que o que nós muito condenamos, assim o fazemos porque isso incomoda. E saber por quê? Porque tudo que condenamos está em nós antes de estar nos outros.
Por isso Exu não gosta daquele que é um falso pregador, aquele que vive dizendo como os outros devem agir, vive dizendo o que é certo, vive alertando os outros contra a vaidade, vive julgando, mas no dia – dia pouco aplica as regras que impõe para os outros. O mundo está cheio deles. E Exu sorri quando encontra um desses. Mais para frente eles serão engolidos por si mesmos. Pela própria sombra. Mas Exu não ri porque fica feliz com isso, muito pelo contrário, ele até sente por aquela pessoa. Mas já que não dá pra fazer outra coisa, o melhor é sorrir mesmo, não é?


O certo é que a linha de Exu nos colocar frente a frente com o inimigo! Mas aqui não estamos falando de nenhum “kiumba”, mas sim de nós mesmos. O que eu já vi de médium perdendo a compostura quando “incorporado” com Exu não é brincadeira. Muitos colocam suas angústias pra fora, outros seus medos e inseguranças, muitos seus complexos de inferioridade. Tudo isso Exu permite, para que a pessoa perceba o quanto ela é complicada e enrolada naquele sentido da vida.


Mas dizem que o pior cego é aquele que não quer ver, e o que tem de gente que não quer enxergar os próprios defeitos...
E não sobra opção a Exu, a não ser sorrir e sorrir mesmo quando nós nos damos mal.
Mas, ainda falando dos múltiplos aspectos contraditórios de Exu, pois ele é a contradição em pessoa, devo ainda relatar mais uma experiência contraditória em relação a sua natureza.

Dia desses, depois de um “pesado trabalho de esquerda”, fiquei refletindo sobre algumas coisas. E sempre que assim eu faço, algo estranho acontece.

Nesse trabalho, muitos kiumbas, espíritos assediadores, obsessores, eguns, ou sei lá o nome que você queiram dar, foram recolhidos e encaminhados pelas falanges de Exu que lá estavam presentes. Sabe como é, na Umbanda, a gente não pega um livro pesado e começa a doutrinar os espíritos “desregrados da seara bendita”. A gente entra com a energia, com a mediunidade e com os sentimentos bacanas, deixando o encaminhamento e “doutrinação” desses amigos mais revoltados nas mãos dos guias espirituais.


Esse trabalho foi complicado. Muitos, na expressão popular, estavam “demandando o grupo”, ou seja, estavam perseguindo nosso grupo de trabalho e assistência espiritual, pois tinham objetivos e finalidades diversas e opostas. Ninguém tinha arriado um ebó na encruzilhada contra a gente, eram atuações vindas de inteligências opostas ao trabalho proposto e atraídas pelas “brechas vibratórias” de nossos próprios sentimentos e pensamentos. Mas que na Umbanda ainda acha – se que tudo que acontece de errado é culpa de algum ebó na encruzilhada, isso é verdade...


Bom, o que sei é que alguns dias depois, durante a noite, enquanto eu dormia, alguém me levou até um estranho lugar. Eu estava projetado, desdobrado, desprendido do corpo físico, ou qualquer outro nome que vocês queiram dar. Fenômeno esse muito estudado por diversas culturas espiritualistas do mundo. Fenômeno esse muito comum também dentro da Umbanda, mas pouco estudado, afinal, muitos pensam que Umbanda é “só incorporar” os guias e de preferência de forma inconsciente! Sei, sei...Olha Exu gargalhando novamente!


Nesse local, um monte de espíritos eram levados até a mim e eu projetava energias de cura em relação a eles. Vi várias pessoas projetadas no ambiente, inclusive gente muito próxima, do grupo. Alguns pouco conscientes, outros ainda nada conscientes. Mas, o importante era e energia mais densa que vinha pelo cordão de prata e que auxiliava no tratamento daqueles irmãos sofredores.

Por quanto tempo fiquei lá não sei, afinal a noção de tempo e espaço é muito diferente no plano astral. O que sei é que em um certo momento um Exu, que tomava conta do ambiente, veio conversar comigo:


_Tá vendo quanto espírito a gente tem “pego” daquelas reuniões que vocês fazem? _ perguntou o amigo Exu.
_ Nossa, quantos, muito mais do que eu podia imaginar.
_ E isso não é nada, comparado aos milhares que chegam, diariamente, “nas muitas casas” dos guardiões da Umbanda espalhados pelo Brasil.
_Poxa, mas isso é sinal que o pessoal anda trabalhando bem, não é mesmo?
_ Hahahaha, mas você é um idiota mesmo, né? Desde quando fazer isso é um bom trabalho? Milhares chegam, mas sabem quantos saem daqui? Poucos! A maioria também para servir as falanges de Exu. O grande problema é que os médiuns de Umbanda, pouco ou nada cuidam dos que aqui ficam precisando de ajuda.
_ Nossa missão aqui é transformar os antigos valores desses espíritos, mesmo que seja através da dor. Mas, depois disso, muitos precisam ser curados, tratados. E dessa parte os umbandistas não querem nem saber!
_Ah, ainda eu pego o maldito que disseminou que Umbanda só serve para cortar magias negras e resolver dificuldades materiais. Vocês adoram falar sobre amor e caridade, mas quase ninguém se importa em vir até aqui cuidar desses que vocês mesmos mandaram para cá.
_ É que muitos não sabem como fazer isso amigo! _ tentei eu defender os umbandistas.
_ Claro que não sabem! Só se preocupam em “cortar demandas”, combater feitiços e destruir “demônios das trevas”. Grandes guerreiros! Mas nada fazem sem os vossos Exus, parecendo mais grandes bebês chorões querendo brincar de guerra!
_ Lembre – se bem. Todos que a mão esquerda derrubar terão que subir pela mão direita. Essa é a Lei. Comecem a se conscientizar que ninguém aqui gosta de ver o sofrimento alheio. Comecem a ter uma visão mais ampla do universo espiritual e da forma como a umbanda relaciona – se com ele.
_Dedique – se mais a esses que são encaminhados nos trabalhos espirituais. Ore por eles, faça uma vibração por eles, tratem – os com a luz das velas e do coração. Busquem o conhecimento e forma de auxiliá – los.
_Quero ver se amanhã, quando você não agüentar mais o chicote, e não tiver ninguém para te estender a mão, você vai achar tão “glamuroso” esse ciclo infernal de demandas, perseguições e magias negativas. Isso aqui é só sujeira, ódio, desgraça e tristeza. Poucos têm coragem de pousar os olhos sobre essas paragens sombrias.
_ É, isso é verdade. Muitos falam, mas poucos realmente conhecem a verdadeira situação do astral inferior a qual a Umbanda e toda a humanidade está ligada, não é mesmo?
_Hahaha, até que você não é tão idiota! Olha, vou dar um jeito de você lembrar essa conversa ao acordar. Vê se escreve isso pros seus amigos umbandistas! E para de reclamar da vida. Quer melhorar? Trabalhe mais!
_ Tá certo seu Exu Ganga. Só mais uma coisa. Um dia desses li num livro que Ganga é uma falange relacionada ao “lixo”. Mas você apresenta – se como um negro e ao julgar por esses facões nas vossas mãos, acho que nada tem a ver com o lixo...
_ Lixo é esse livro que você andou lendo! Ganga é uma corruptela do termo Nganga, do tronco lingüístico bantu. Quer dizer “o mestre”, aquele que domina algo. O termo foi usado por muitos, desde sacerdotes até mestres na arte da caça, da guerra, da magia, etc. Algo parecido com o Kimbanda, mas esse, mais relacionado diretamente a cura e a prática de Mbanda. A linha de Exus Ganga é formada por antigos sacerdotes e guerreiros negros. É isso! Vê se queima a porcaria do livro onde você leu essa besteira de “lixo”...
Pouca coisa lembro depois disso.
Despertei no corpo físico, era madrugada e não fui dormir mais. Agora estou acabando de escrever esse texto, onde juntei duas experiências em relação a Exu. Não sei porque fiz isso, talvez pelo caráter desmistificador da sua figura.


Pra falar a verdade, essas duas estórias são bem diferentes. Primeiro um Exu que chora, sorri e ensina o bom – humor, o auto – conhecimento e o não julgamento. Depois um Exu que preocupa – se com o “pessoal lá de baixo”. Diferente, principalmente daquilo que estamos acostumados a ouvir dentro do meio umbandista.


Talvez Exu esteja mudando. Talvez nós, médiuns e umbandistas, estejamos mudando. Talvez a umbanda está mudando.


Ou, quem sabe, a Umbanda e Exu sempre foram assim, nós que não compreendemos direito aquilo que está muito perto de nós, mas é tão diferente ao mesmo tempo.
Dizem que o pior cego é aquele que não quer ver...



Matéria extraída do JUS – JORNAL DE UMBANDA SAGRADA
Por: Fernando Sepe