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sábado, 21 de junho de 2008

CONVERSANDO SOBRE EXU

Dizem que Exu é um homem sério, castigador, espírito sem compaixão alguma. Muitos falam que nem mesmo sentimento essas entidades apresentam. Muitos temem Exu, relacionando – o com o Diabo ou com algum monstro cavernoso que a mente humana é capaz de criar.


Bem, dia desses, no campo santo de meu pai Omulu, vi algo inusitado que me fez pensar...
Um desses Exus Caveiras, que apresentam essa forma plasmada como meio de ligação a falange pertencente, chorava sobre um túmulo. Discretamente, isso devo dizer, afinal os Caveiras em sua maioria são de natureza recatada e introspectiva, mas chorava sim. Engraçado pensar nessa situação, não é mesmo? Ele chorava pelos erros do passado, chorava por uma pessoa a qual amava muito, mas não mais perto dele estava. Claro, sabia que ninguém morria, mas a saudade e o remorso apertavam fundo seu coração.


Isso acontece muito no plano espiritual, onde muitas vezes os laços são quebrados devido às diferenças vibratórias. Na verdade o laço não se quebra, apenas afrouxam - se um pouco...
Mas, voltando a nossa história, fiquei a pensar muito sobre aquele tipo de visão. Pensei que ninguém acreditaria em mim caso eu contasse esse “causo”, afinal, Exu é homem acima do bem e do mal, exu não tem sentimento, exu não chora...


E para aqueles então que endeusam “seu” Exu, pensando ser ele um grande guardião, espírito da mais alta elite espiritual, espírito corajoso, sem medos, violento guerreiro das trevas. Exu acaba assumindo na Umbanda um arquétipo, ou mito, tão supra – humano, que muitas vezes ele deixa de ser apenas o mais humano das linhas de Umbanda. Arquétipo esse, diga – se de passagem, muito diferente do Orixá Exu, arquétipo base para a formação do que chamamos de Linha de Esquerda dentro do ritual de Umbanda.


É, eu acho que todo Exu chora. Assim como eu e você também. Inclusive, todo mundo chora, pois todos temos dores, remorsos e tristezas. Isso é humano. Mas, voltando ao campo santo...
Logo vi um Exu, vestindo uma longa capa preta, se aproximar do triste amigo Caveira. O que conversaram não sei, pois não ouvi, e muito menos dotado da faculdade de ler os pensamentos deles eu estava. Mas uma coisa é certa: Os dois saíram a gargalhar muito!


“Engraçado, como é que pode? Tava chorando até agora, e de repente sai rindo de uma hora pra outra?” _ pensei contrariado.
Fiquei alguns dias refletindo sobre isso, e cheguei a uma conclusão. A principal característica de um Exu é o seu bom – humor. Afinal, mesmo em situações muito complicadas, eles sempre têm uma gargalhada boa para dar. Na pior situação, mesmo que de forma sarcástica, eles se divertem. Ele pode escrever certo por linhas tortas, errado por linhas retas, errado em linhas tortas ou sei lá mais o que, mas uma coisa é certa, vai escrever gargalhando.

Admiro esse aspecto de Exu. Tem gente que de tanto trabalhar com Exu torna – se sério, “faz cara de mau”, vive reclamando da vida além de tornar – se um grande julgador.
A verdade é que nunca vi Exu reclamar de nada, nem julgar a ninguém. Pelo contrário, o que vejo é que Exu nos ensina a não reclamar da vida, pois tem gente que passa por coisa muito pior e o faz com honra e... Bom – humor!


Vejo também que Exu não julga ninguém, afinal, quem é ele, ou melhor, quem somos nós para julgarmos alguém? Exu ensina que o que nós muito condenamos, assim o fazemos porque isso incomoda. E saber por quê? Porque tudo que condenamos está em nós antes de estar nos outros.
Por isso Exu não gosta daquele que é um falso pregador, aquele que vive dizendo como os outros devem agir, vive dizendo o que é certo, vive alertando os outros contra a vaidade, vive julgando, mas no dia – dia pouco aplica as regras que impõe para os outros. O mundo está cheio deles. E Exu sorri quando encontra um desses. Mais para frente eles serão engolidos por si mesmos. Pela própria sombra. Mas Exu não ri porque fica feliz com isso, muito pelo contrário, ele até sente por aquela pessoa. Mas já que não dá pra fazer outra coisa, o melhor é sorrir mesmo, não é?


O certo é que a linha de Exu nos colocar frente a frente com o inimigo! Mas aqui não estamos falando de nenhum “kiumba”, mas sim de nós mesmos. O que eu já vi de médium perdendo a compostura quando “incorporado” com Exu não é brincadeira. Muitos colocam suas angústias pra fora, outros seus medos e inseguranças, muitos seus complexos de inferioridade. Tudo isso Exu permite, para que a pessoa perceba o quanto ela é complicada e enrolada naquele sentido da vida.


Mas dizem que o pior cego é aquele que não quer ver, e o que tem de gente que não quer enxergar os próprios defeitos...
E não sobra opção a Exu, a não ser sorrir e sorrir mesmo quando nós nos damos mal.
Mas, ainda falando dos múltiplos aspectos contraditórios de Exu, pois ele é a contradição em pessoa, devo ainda relatar mais uma experiência contraditória em relação a sua natureza.

Dia desses, depois de um “pesado trabalho de esquerda”, fiquei refletindo sobre algumas coisas. E sempre que assim eu faço, algo estranho acontece.

Nesse trabalho, muitos kiumbas, espíritos assediadores, obsessores, eguns, ou sei lá o nome que você queiram dar, foram recolhidos e encaminhados pelas falanges de Exu que lá estavam presentes. Sabe como é, na Umbanda, a gente não pega um livro pesado e começa a doutrinar os espíritos “desregrados da seara bendita”. A gente entra com a energia, com a mediunidade e com os sentimentos bacanas, deixando o encaminhamento e “doutrinação” desses amigos mais revoltados nas mãos dos guias espirituais.


Esse trabalho foi complicado. Muitos, na expressão popular, estavam “demandando o grupo”, ou seja, estavam perseguindo nosso grupo de trabalho e assistência espiritual, pois tinham objetivos e finalidades diversas e opostas. Ninguém tinha arriado um ebó na encruzilhada contra a gente, eram atuações vindas de inteligências opostas ao trabalho proposto e atraídas pelas “brechas vibratórias” de nossos próprios sentimentos e pensamentos. Mas que na Umbanda ainda acha – se que tudo que acontece de errado é culpa de algum ebó na encruzilhada, isso é verdade...


Bom, o que sei é que alguns dias depois, durante a noite, enquanto eu dormia, alguém me levou até um estranho lugar. Eu estava projetado, desdobrado, desprendido do corpo físico, ou qualquer outro nome que vocês queiram dar. Fenômeno esse muito estudado por diversas culturas espiritualistas do mundo. Fenômeno esse muito comum também dentro da Umbanda, mas pouco estudado, afinal, muitos pensam que Umbanda é “só incorporar” os guias e de preferência de forma inconsciente! Sei, sei...Olha Exu gargalhando novamente!


Nesse local, um monte de espíritos eram levados até a mim e eu projetava energias de cura em relação a eles. Vi várias pessoas projetadas no ambiente, inclusive gente muito próxima, do grupo. Alguns pouco conscientes, outros ainda nada conscientes. Mas, o importante era e energia mais densa que vinha pelo cordão de prata e que auxiliava no tratamento daqueles irmãos sofredores.

Por quanto tempo fiquei lá não sei, afinal a noção de tempo e espaço é muito diferente no plano astral. O que sei é que em um certo momento um Exu, que tomava conta do ambiente, veio conversar comigo:


_Tá vendo quanto espírito a gente tem “pego” daquelas reuniões que vocês fazem? _ perguntou o amigo Exu.
_ Nossa, quantos, muito mais do que eu podia imaginar.
_ E isso não é nada, comparado aos milhares que chegam, diariamente, “nas muitas casas” dos guardiões da Umbanda espalhados pelo Brasil.
_Poxa, mas isso é sinal que o pessoal anda trabalhando bem, não é mesmo?
_ Hahahaha, mas você é um idiota mesmo, né? Desde quando fazer isso é um bom trabalho? Milhares chegam, mas sabem quantos saem daqui? Poucos! A maioria também para servir as falanges de Exu. O grande problema é que os médiuns de Umbanda, pouco ou nada cuidam dos que aqui ficam precisando de ajuda.
_ Nossa missão aqui é transformar os antigos valores desses espíritos, mesmo que seja através da dor. Mas, depois disso, muitos precisam ser curados, tratados. E dessa parte os umbandistas não querem nem saber!
_Ah, ainda eu pego o maldito que disseminou que Umbanda só serve para cortar magias negras e resolver dificuldades materiais. Vocês adoram falar sobre amor e caridade, mas quase ninguém se importa em vir até aqui cuidar desses que vocês mesmos mandaram para cá.
_ É que muitos não sabem como fazer isso amigo! _ tentei eu defender os umbandistas.
_ Claro que não sabem! Só se preocupam em “cortar demandas”, combater feitiços e destruir “demônios das trevas”. Grandes guerreiros! Mas nada fazem sem os vossos Exus, parecendo mais grandes bebês chorões querendo brincar de guerra!
_ Lembre – se bem. Todos que a mão esquerda derrubar terão que subir pela mão direita. Essa é a Lei. Comecem a se conscientizar que ninguém aqui gosta de ver o sofrimento alheio. Comecem a ter uma visão mais ampla do universo espiritual e da forma como a umbanda relaciona – se com ele.
_Dedique – se mais a esses que são encaminhados nos trabalhos espirituais. Ore por eles, faça uma vibração por eles, tratem – os com a luz das velas e do coração. Busquem o conhecimento e forma de auxiliá – los.
_Quero ver se amanhã, quando você não agüentar mais o chicote, e não tiver ninguém para te estender a mão, você vai achar tão “glamuroso” esse ciclo infernal de demandas, perseguições e magias negativas. Isso aqui é só sujeira, ódio, desgraça e tristeza. Poucos têm coragem de pousar os olhos sobre essas paragens sombrias.
_ É, isso é verdade. Muitos falam, mas poucos realmente conhecem a verdadeira situação do astral inferior a qual a Umbanda e toda a humanidade está ligada, não é mesmo?
_Hahaha, até que você não é tão idiota! Olha, vou dar um jeito de você lembrar essa conversa ao acordar. Vê se escreve isso pros seus amigos umbandistas! E para de reclamar da vida. Quer melhorar? Trabalhe mais!
_ Tá certo seu Exu Ganga. Só mais uma coisa. Um dia desses li num livro que Ganga é uma falange relacionada ao “lixo”. Mas você apresenta – se como um negro e ao julgar por esses facões nas vossas mãos, acho que nada tem a ver com o lixo...
_ Lixo é esse livro que você andou lendo! Ganga é uma corruptela do termo Nganga, do tronco lingüístico bantu. Quer dizer “o mestre”, aquele que domina algo. O termo foi usado por muitos, desde sacerdotes até mestres na arte da caça, da guerra, da magia, etc. Algo parecido com o Kimbanda, mas esse, mais relacionado diretamente a cura e a prática de Mbanda. A linha de Exus Ganga é formada por antigos sacerdotes e guerreiros negros. É isso! Vê se queima a porcaria do livro onde você leu essa besteira de “lixo”...
Pouca coisa lembro depois disso.
Despertei no corpo físico, era madrugada e não fui dormir mais. Agora estou acabando de escrever esse texto, onde juntei duas experiências em relação a Exu. Não sei porque fiz isso, talvez pelo caráter desmistificador da sua figura.


Pra falar a verdade, essas duas estórias são bem diferentes. Primeiro um Exu que chora, sorri e ensina o bom – humor, o auto – conhecimento e o não julgamento. Depois um Exu que preocupa – se com o “pessoal lá de baixo”. Diferente, principalmente daquilo que estamos acostumados a ouvir dentro do meio umbandista.


Talvez Exu esteja mudando. Talvez nós, médiuns e umbandistas, estejamos mudando. Talvez a umbanda está mudando.


Ou, quem sabe, a Umbanda e Exu sempre foram assim, nós que não compreendemos direito aquilo que está muito perto de nós, mas é tão diferente ao mesmo tempo.
Dizem que o pior cego é aquele que não quer ver...



Matéria extraída do JUS – JORNAL DE UMBANDA SAGRADA
Por: Fernando Sepe

terça-feira, 27 de maio de 2008

EXU, OLHAI POR NÓS


....Ao dizer "Laroiê Exu", estamos dizendo "Exu, olhai por nós ". Alguns após ler o título sequer lerão este texto. Estes que se dizem espiritualizados, mas que ao ouvir falar de Exu e Pomba-Gira torcem a boca, fazem caretas, dizem que não estudam sobre espíritos caídos, apenas sobre os iluminados. Não sabem que todos temos em nossas forças espirituais ao menos um Exu, nosso Guardião, que nos protege e nos vitaliza.




....Não importa a religião, todos somos amparados pelos Senhores Exus: umbandistas, espíritas, católicos, evangélicos, ateus e etc. Pois somos espíritos passando por mais uma experiência encarnados, e não encarnados que um dia serão espíritos restritos às crenças que carregavam na carne.




....Outros confundem Exus com espíritos maléficos, que sentem prazer em prejudicar alguém. Saibam que Exu somente trabalha dentro da Lei e da Justiça, do contrário não é Exu.




....Exu é Grau, assim como Caboclo e Preto Velho, e para ser consagrado Exu, é necessário muito estudo e experiência. Cada Grau está ligado diretamente a um Mistério Divino e Exu não é diferente. Todos nós temos um pólo positivo, que nos irradia ‘luz e discernimento', mas também temos um pólo negativo que absorve nossas ‘sombras e mazelas'.




...Esse nosso Guardião Exu é a entidade bendita que é mais reconhecido por ‘administrar' nosso pólo negativo. Absorver e encaminhar as energias densas que chegam até nós (aquelas que não somos merecedores). Que afasta de nós os obsessores em desacordo com a Lei ( àqueles que estão dentro dela, somente são vigiados ).




....Mas Exu também trabalha nosso emocional de forma fantástica, drenando muito rapidamente emoções desvirtuadas e sentimentos pouco nobres, que geramos em nós mesmos, permitindo que positivemos nosso padrão conciêncial. Mas quando não é feita a positivação, passa-se a merecer a carga densa , e a partir daí Exu atua de forma a gerar o arrependimento pelos negativismos que são aceitos.




....Como assim ? Muitos dizem que o ser humano é dual, portanto pode cometer deslizes que tudo bem, e ainda dizem “ Eu sou assim mesmo ! ”. E alguns ignorantes ainda jogam a culpa nos Exus. Não é permitido saber do erro e continuar nele ! É Lei !




Assim a consciência gera a responsabilidade, e nossa primeira responsabilidade é com nossa evolução. Aqueles que acham que podem continuar cometendo os mesmos erros que Exu ‘ arruma ', estão muito enganados. Quem não quer evoluir pelo Amor irá pela Dor, e Exu irá assistir gargalhando, pois não gera em si o remorso pela escolha da via evolutiva ( Amor ou Dor ), apenas executa seu trabalho dentro da Lei, já que "a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória".




....Alguns dizem que Exu não tem luz, pode até ser, mas possui toda a clareza necessária para cumprir com Fé e coragem o seu digno trabalho; possui todo o discernimento para não acreditar em palavras, mas observar os fatos e através deles saber quais as reais intenções, para assim ordenar nossas vidas dentro de suas possibilidades.




....Exu é força e vitalidade, e ainda dizem que se Exu não cumprir a tal tarefa é porque é fraco. Ou será porque fazer pedido ou oferenda para Exu sem intenção real de aprimorar os seus pensamentos e atos não tem efeito ? Pois em breve tudo estará como antes. Pior ainda é fazer oferenda para Exu pedindo algo fora da Lei e do merecimento, pois Exu não irá aceitar, mas algum espírito caído que não possui Grau algum poderá receber a oferenda e aí o pedinte ficará ligado a esse caído.




....Claro que isto causa um certo espanto para quem acredita que Exu é o faz tudo do astral. Aqueles que acham que pagando, ele faz qualquer coisa. Exu pode ter caído (alguns sequer caíram – leiam Exu Tranca Ruas de Rubens Saraceni ), mas se ergueu e está evoluindo com esforço e competência, não vai por tudo a perder por irresponsabilidade de alguns ignorantes das lides espirituais.




....Muitos Exus já foram convidados a integrar forças espirituais do alto, uns aceitaram outros preferiram continuar como Exus. Pois todos trabalham com honra e empenho para a evolução da humanidade.




....O mistério Exu sofre uma carga negativa dos falsos sábios, mas tudo que está em desacordo com a criação um dia prestará contas, e aí os sabichões perceberão como foram amparados e deram as costas aos amparadores.




....Obrigado Senhores Exus, por todo o amparo e proteção, agradeço pela vitalidade e vos peço perdão pelas cargas e confusões desnecessárias que gerei.




Portanto,

Olhai por nós Exu.
LAROIÊ EXU !

Texto elaborado por Alexandre N. Gimenez

domingo, 20 de abril de 2008

EXU E POMBA-GIRA


Há milênios atrás não existia na África os Orixás naturais, mas sim divindades locais que atendiam às necessidades religiosas específicas de cada um dos povos e o mesmo ocorria no resto do mundo.


Quando iniciou o contato entre nações teve início à difusão das divindades, após um certo tempo mais ou menos cinco mil anos atrás, os povos da terra sentiam a necessidade de divindades mais abrangentes. Então nosso Pai Poderoso permitiu que no plano material fossem concretizadas Divindades de alcance planetário, que se adaptaram aos anseios religiosos de povos distintos entre si, mas comum na forma de cultuá-las, este foi o nascedouro das atuais religiões africanas.


Portanto daí surgiram os amados Orixás naturais ou Divindades naturais que para ajudar a evolução da humanidade o Pai Poderoso permitiu que se concretizassem na Terra.
Nas postagens anteriores já falamos de cada Orixá Natural, explicando suas atribuições e seus atributos, portanto nesta postagem vamos nos dedicar a falarmos um pouco sobre Exu e Pomba-Gira.


A divindade Exu apareceu a mais ou menos quatro mil anos atrás, no continente africano, os homens sentiam necessidade de uma divindade que os auxiliasse na potência masculina, na fertilidade humana, nos problemas de vida doméstica, e nas viagens a regiões distantes povoadas por outras tribos cujos feiticeiros aterrorizavam os indefesos estrangeiros.
Exu teve aceitação imediata e se propagou com tanta rapidez que suplantou as outras Divindades responsáveis por muitas das necessidades humanas.


A Divindade natural Exu deslocou milhões de seres naturais para a dimensão humana a fim de poderem sustentar os seres humanos que a ela recorriam. Exu apreciou a criatura humana e na dimensão dela quis ficar, havia muita afinidade entre os Exus naturais e os seres humanos. Não existia Exu das Matas, do Cemitério, das montanhas, etc..., o que havia era a Divindade Exu , de múltiplos aspectos pois atendia as mais variadas e imediatas necessidades humanas, nem o nome era Exu, o nome real de Exu é um nome cristalino vedado aos humanos.


Da mesma forma a Divindade Pomba-Gira, é uma divindade cósmica que irradia ou gera desejo, portanto Exu é vigor e Pomba-Gira é desejo, se completam e ambas as divindades regem uma dimensão natural, na Umbanda criam as condições ideais para que a Umbanda tenha seus recursos mágicos e cármicos atuando de forma horizontal ou inclinada dispensando a ativação direta dos Tronos Cósmicos ou dos aspectos negativos dos regentes das linhas da Umbanda.


Saibam que nem Pomba-Gira Natural nem Exu Natural seguem a mesma linha de direção evolutiva dos espíritos, pois eles seguem outra orientação, outro direcionamento. Estes seres naturais são muito belos, não possuem cores radiantes, não possuem áurea visível, são energeticamente densos e têm uma cor cinza que os destaca de todos os outros seres naturais.


As Pomba-Giras são geradoras de desejo, mas lembre-se que o desejo é um fator divino fundamental em nossa vida, pois nós o absorvemos pelos sete chacras principais e também pelos chacras secundários.


O desejo só existe porque Deus assim quis e ele não se manifesta só através do sexo, pois sentimos o desejo de aprender, de viajar, de conversar, de nos divertir, de evoluir, de comer determinado alimento ou de vestir determinada roupa, etc...


Exu e Pomba-Gira natural quando acompanham o médium raramente incorporam. Normalmente na Umbanda o mistério Pomba-Gira e Exu se manifesta através de espíritos incorporados através de suas hierarquias ativas.
Exu e Pomba-Gira seres naturais cósmicos são servos obedientes dos Orixás, os Senhores do Alto, que por sua vez são servos do Sagrado Senhor da Luz, da Lei e da Vida.


Tanto o mistério Exu como o mistério Pomba-Gira podem ser ativados por qualquer pessoa desde que dentro de um ritual correto, codificado pelo ritual de Umbanda Sagrada, mas não se esqueçam que são agentes cármicos que podem ser ativados pela Lei Maior.


Texto baseado no livro “Umbanda Sagrada” de Rubens Saraceni

domingo, 6 de abril de 2008

OMULU


O Sétimo Trono assentado na coroa Divina é o da Geração. O trono da Geração tem em seu pólo magnético positivo a Orixá Yemanjá (irradiante) e no seu pólo magnético negativo o Orixá Omulu (cósmico).


A essência natural de Yemanjá é a água e a essência natural de Omulu é a terra.

Omulu, pólo negativo que juntamente com Yemanjá pólo positivo, formam o Trono da Geração, onde ela gera a vida e ele paralisa os seres que atentam contra os princípios que dão sustentação às manifestações da vida.


Omulu é o orixá que rege a morte, ou o instante da passagem do plano material para o plano espiritual (desencarne).


É com tristeza que temos visto o temor dos irmãos umbandistas quando é mencionado o nome do nosso amado Pai Omulu.

 E, no entanto descobrimos que este medo é um dos frutos amargos que nos foram legados pelos ancestrais semeadores dos orixás em solo brasileiro, pois difundiram só os dois extremos do mais caridoso dos orixás, já que Omulu é o guardião divino dos espíritos caídos.

O orixá Omulu guarda para Olorum (Deus) todos os espíritos que fraquejaram durante sua jornada carnal e entregaram-se à vivenciação de seus vícios emocionais.


Mas ele não pune ou castiga ninguém, pois estas ações são atributos da Lei Divina, que também não pune ou castiga.

 Ela apenas conduz cada um ao seu devido lugar após o desencarne.
 E se alguém semeou ventos, que colha sua tempestade pessoal, mas amparado pela própria Lei, que o recolhe a um dos sete domínios negativos, todos regidos pelos orixás cósmicos, que são magneticamente negativos.


 E Tatá Omulu é um desses guardiões divinos que consagrou a si e a sua existência, enquanto divindade, ao amparo dos espíritos caídos perante as leis que dão sustentação a todas as manifestações de vida.

Esta qualidade divina do nosso amado pai foi interpretada de forma incorreta ou incompleta, e o que definiram no decorrer dos séculos foi que Tatá Omulu é um dos orixás mais “perigosos” de se lidar, ou um dos mais intolerantes, e isto quando não o descrevem como implacável nas suas punições.


Mas o que encontrei nele não condiz com a forma como o “humanizaram”, e ano após ano, fui conhecendo uma divindade ímpar.



 Descobri-o como sendo a própria caridade divina para com os espíritos caídos nos campos da morte porque atentaram contra os princípios da vida.

Em Tatá Omulu descobri o amor de Olorum, pois é por puro amor que uma divindade consagra-se por inteiro ao amparo dos espíritos caídos. E foi por amor a nós que ele assumiu a incumbência de nos paralisar em seus domínios, sempre que começássemos a atentar contra os princípios da vida.


Enquanto nossa mãe Yemanjá estimula em nós a geração, o nosso pai Omulu nos paralisa sempre que desvirtuamos os atos geradores.



 Mas esta “geração” não se restringe só à hereditariedade, já que temos muitas faculdades além desta, de fundo sexual. Afinal, geramos idéias, projetos, empresas, conhecimento, inventos, doutrinas, religiosidade, anseios, desejos, angústias, depressões, fobias, preceitos, princípios, templos, etc.

Temos a capacidade de gerar muitas coisas, e se elas estiverem em acordo com os princípios sustentados pela irradiação divina, que na Umbanda recebe o nome de “linha da Geração” ou “sétima linha de Umbanda”, então estamos sob irradiação da divina mãe Yemanjá, que nos estimula.


Mas, se em nossas “gerações”, atentarmos contra os princípios da vida codificados como os únicos responsáveis pela sua multiplicação, então já estaremos sob a irradiação do divino pai Omulu, que nos paralisará e começará a atuar em nossas vidas, pois deseja preservar-nos e nos defender de nós mesmos, já que sempre que uma ação nossa for prejudicar alguém, antes ela já nos atingiu, feriu e nos escureceu, colocando-nos em um de seus sombrios domínios.


Tatá Omulu só foi humanizado em seus dois pólos, ou nos seus extremos.

 E, se em seu pólo negativo e escuro ele é punidor, em seu pólo positivo ele é o orixá curador por excelência divina, que cura as “almas” feridas por si mesmas.


 “Humanizar-se” significa que o orixá ou a divindade assumiu feições humanas, compreensíveis por nós e de mais fácil assimilação e interpretação.

Ele é o excelso curador divino, pois acolhe em seus domínios todos os espíritos que se feriram quando, por egoísmo, pensaram que estavam atingindo seus semelhantes.



 E, por amor, ele nos dá seu amparo divino até que, sob sua irradiação, nós mesmos tenhamos nos curado para retornarmos ao caminho reto trilhado por todos os espíritos amantes da vida e multiplicadores de suas benesses.


 Todos somos dotados dessa faculdade, já que todos somos multiplicadores da vida, seja em nós mesmos, através de nossa sexualidade, seja nas idéias, através de nosso raciocínio, assim como geramos muitas outras coisas que tornam a vida uma verdadeira dádiva divina.

Em seu pólo positivo, é o curador divino e tanto cura nossa alma ferida quanto nosso corpo doente. 



Se orarmos a ele quando estivermos enfermos ele atuará em nosso corpo energético, nosso magnetismo, nosso campo vibratório e sobre nosso corpo carnal, e tanto poderá curar-nos quanto nos conduzir a um médico que detectará de imediato a doença e receitará a medicação correta.

Então pergunto: “Se Tatá Omulu é curador, ele não é a própria caridade para com os enfermos? E, se ele é curador, como podem descrevê-lo como um orixá temido?”.


O orixá Omulu atua em todos os seres humanos, independentes de qual seja a sua religião.



 Mas esta atuação geral e planetária processa-se através de uma faixa vibratória especifica e exclusiva, pois é através dela que fluem as irradiações divinas de um dos mistérios de Deus, que denominamos de “Mistério da Morte”.

Mas entendam este mistério como ele deve ser entendido, e não como o têm ensinado.


Tatá Omulu, enquanto força cósmica e mistério divino, é energia que se condensa em torno do fio de prata que une o espírito e seu corpo físico, e o dissolve no momento do desencarne ou passagem de um plano para outro.



 Neste caso ele não se apresenta como um espectro da morte coberto com manto e capuz negro, empunhando o alfanje da morte que corta o fio da vida.


 Esta descrição é apenas uma forma simbólica ou estilizada de se descrever a força divina que ceifa a vida na carne.

Na verdade, a energia que rompe o fio da vida na carne é de cor escura, e tanto pode parti-lo num piscar de olhos quando a morte é natural e fulminante, como pode ir se condensando em torno dele, envolvendo-o todo até alcançar o perispírito, que já entrou em desarmonia vibratória porque a passagem deve ser lenta, induzindo o ser a aceitar seu desencarne de forma passiva.


Este mistério regido por Tatá Omulu é um dos recursos de Deus e atua num momento de muita dificuldade para os seres, pois não é fácil, para alguém não preparado, esta viagem rumo ao desconhecido mundo dos espíritos ou dos mortos.


O orixá Omulu atua em todas as religiões e em algumas é denominado de “Anjo da Morte” e em outras de divindade ou “Senhor dos Mortos”.


A linha da Geração, é regida em seu pólo positivo, irradiante e multicolorido pela nossa Mãe da Vida, a orixá Yemanjá, e em seu pólo negativo, absorvente e monocromático (pois é de um azul tão concentrado que muitos o vêem como preto) pelo Tatá Omulu, Senhor da Morte.


Omulu é negativo e seu magnetismo atrai os seres que se desvirtuam e se tornaram estéreis.



 Se não criam mais nada, é hora de serem reduzidos a pó para que, nas águas de Yemanjá, voltem a ser espalhados, e que, no eterno movimento das marés, venham a ser reunidos, umidificados, fertilizados e renasçam para uma nova vida.


 Se Yemanjá umidifica e fecunda, Omulu seca e esteriliza.

Simbolicamente representamos Omulu com o alfanje da morte, pois é ele quem reduz ao pó os que abandonam a vida.



 Mas também podemos representá-lo com o cruzeiro das Almas.

Oferendas: velas brancas, água, coco, vinho branco doce licoroso, mel, pipoca e sal grosso, depositado no cemitério ou beira-mar.


Texto baseado no livro “O Código de Umbanda” psicografado por Rubens Saraceni.