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domingo, 20 de abril de 2008

EXU E POMBA-GIRA


Há milênios atrás não existia na África os Orixás naturais, mas sim divindades locais que atendiam às necessidades religiosas específicas de cada um dos povos e o mesmo ocorria no resto do mundo.


Quando iniciou o contato entre nações teve início à difusão das divindades, após um certo tempo mais ou menos cinco mil anos atrás, os povos da terra sentiam a necessidade de divindades mais abrangentes. Então nosso Pai Poderoso permitiu que no plano material fossem concretizadas Divindades de alcance planetário, que se adaptaram aos anseios religiosos de povos distintos entre si, mas comum na forma de cultuá-las, este foi o nascedouro das atuais religiões africanas.


Portanto daí surgiram os amados Orixás naturais ou Divindades naturais que para ajudar a evolução da humanidade o Pai Poderoso permitiu que se concretizassem na Terra.
Nas postagens anteriores já falamos de cada Orixá Natural, explicando suas atribuições e seus atributos, portanto nesta postagem vamos nos dedicar a falarmos um pouco sobre Exu e Pomba-Gira.


A divindade Exu apareceu a mais ou menos quatro mil anos atrás, no continente africano, os homens sentiam necessidade de uma divindade que os auxiliasse na potência masculina, na fertilidade humana, nos problemas de vida doméstica, e nas viagens a regiões distantes povoadas por outras tribos cujos feiticeiros aterrorizavam os indefesos estrangeiros.
Exu teve aceitação imediata e se propagou com tanta rapidez que suplantou as outras Divindades responsáveis por muitas das necessidades humanas.


A Divindade natural Exu deslocou milhões de seres naturais para a dimensão humana a fim de poderem sustentar os seres humanos que a ela recorriam. Exu apreciou a criatura humana e na dimensão dela quis ficar, havia muita afinidade entre os Exus naturais e os seres humanos. Não existia Exu das Matas, do Cemitério, das montanhas, etc..., o que havia era a Divindade Exu , de múltiplos aspectos pois atendia as mais variadas e imediatas necessidades humanas, nem o nome era Exu, o nome real de Exu é um nome cristalino vedado aos humanos.


Da mesma forma a Divindade Pomba-Gira, é uma divindade cósmica que irradia ou gera desejo, portanto Exu é vigor e Pomba-Gira é desejo, se completam e ambas as divindades regem uma dimensão natural, na Umbanda criam as condições ideais para que a Umbanda tenha seus recursos mágicos e cármicos atuando de forma horizontal ou inclinada dispensando a ativação direta dos Tronos Cósmicos ou dos aspectos negativos dos regentes das linhas da Umbanda.


Saibam que nem Pomba-Gira Natural nem Exu Natural seguem a mesma linha de direção evolutiva dos espíritos, pois eles seguem outra orientação, outro direcionamento. Estes seres naturais são muito belos, não possuem cores radiantes, não possuem áurea visível, são energeticamente densos e têm uma cor cinza que os destaca de todos os outros seres naturais.


As Pomba-Giras são geradoras de desejo, mas lembre-se que o desejo é um fator divino fundamental em nossa vida, pois nós o absorvemos pelos sete chacras principais e também pelos chacras secundários.


O desejo só existe porque Deus assim quis e ele não se manifesta só através do sexo, pois sentimos o desejo de aprender, de viajar, de conversar, de nos divertir, de evoluir, de comer determinado alimento ou de vestir determinada roupa, etc...


Exu e Pomba-Gira natural quando acompanham o médium raramente incorporam. Normalmente na Umbanda o mistério Pomba-Gira e Exu se manifesta através de espíritos incorporados através de suas hierarquias ativas.
Exu e Pomba-Gira seres naturais cósmicos são servos obedientes dos Orixás, os Senhores do Alto, que por sua vez são servos do Sagrado Senhor da Luz, da Lei e da Vida.


Tanto o mistério Exu como o mistério Pomba-Gira podem ser ativados por qualquer pessoa desde que dentro de um ritual correto, codificado pelo ritual de Umbanda Sagrada, mas não se esqueçam que são agentes cármicos que podem ser ativados pela Lei Maior.


Texto baseado no livro “Umbanda Sagrada” de Rubens Saraceni

domingo, 6 de abril de 2008

OMULU


O Sétimo Trono assentado na coroa Divina é o da Geração. O trono da Geração tem em seu pólo magnético positivo a Orixá Yemanjá (irradiante) e no seu pólo magnético negativo o Orixá Omulu (cósmico).


A essência natural de Yemanjá é a água e a essência natural de Omulu é a terra.

Omulu, pólo negativo que juntamente com Yemanjá pólo positivo, formam o Trono da Geração, onde ela gera a vida e ele paralisa os seres que atentam contra os princípios que dão sustentação às manifestações da vida.


Omulu é o orixá que rege a morte, ou o instante da passagem do plano material para o plano espiritual (desencarne).


É com tristeza que temos visto o temor dos irmãos umbandistas quando é mencionado o nome do nosso amado Pai Omulu.

 E, no entanto descobrimos que este medo é um dos frutos amargos que nos foram legados pelos ancestrais semeadores dos orixás em solo brasileiro, pois difundiram só os dois extremos do mais caridoso dos orixás, já que Omulu é o guardião divino dos espíritos caídos.

O orixá Omulu guarda para Olorum (Deus) todos os espíritos que fraquejaram durante sua jornada carnal e entregaram-se à vivenciação de seus vícios emocionais.


Mas ele não pune ou castiga ninguém, pois estas ações são atributos da Lei Divina, que também não pune ou castiga.

 Ela apenas conduz cada um ao seu devido lugar após o desencarne.
 E se alguém semeou ventos, que colha sua tempestade pessoal, mas amparado pela própria Lei, que o recolhe a um dos sete domínios negativos, todos regidos pelos orixás cósmicos, que são magneticamente negativos.


 E Tatá Omulu é um desses guardiões divinos que consagrou a si e a sua existência, enquanto divindade, ao amparo dos espíritos caídos perante as leis que dão sustentação a todas as manifestações de vida.

Esta qualidade divina do nosso amado pai foi interpretada de forma incorreta ou incompleta, e o que definiram no decorrer dos séculos foi que Tatá Omulu é um dos orixás mais “perigosos” de se lidar, ou um dos mais intolerantes, e isto quando não o descrevem como implacável nas suas punições.


Mas o que encontrei nele não condiz com a forma como o “humanizaram”, e ano após ano, fui conhecendo uma divindade ímpar.



 Descobri-o como sendo a própria caridade divina para com os espíritos caídos nos campos da morte porque atentaram contra os princípios da vida.

Em Tatá Omulu descobri o amor de Olorum, pois é por puro amor que uma divindade consagra-se por inteiro ao amparo dos espíritos caídos. E foi por amor a nós que ele assumiu a incumbência de nos paralisar em seus domínios, sempre que começássemos a atentar contra os princípios da vida.


Enquanto nossa mãe Yemanjá estimula em nós a geração, o nosso pai Omulu nos paralisa sempre que desvirtuamos os atos geradores.



 Mas esta “geração” não se restringe só à hereditariedade, já que temos muitas faculdades além desta, de fundo sexual. Afinal, geramos idéias, projetos, empresas, conhecimento, inventos, doutrinas, religiosidade, anseios, desejos, angústias, depressões, fobias, preceitos, princípios, templos, etc.

Temos a capacidade de gerar muitas coisas, e se elas estiverem em acordo com os princípios sustentados pela irradiação divina, que na Umbanda recebe o nome de “linha da Geração” ou “sétima linha de Umbanda”, então estamos sob irradiação da divina mãe Yemanjá, que nos estimula.


Mas, se em nossas “gerações”, atentarmos contra os princípios da vida codificados como os únicos responsáveis pela sua multiplicação, então já estaremos sob a irradiação do divino pai Omulu, que nos paralisará e começará a atuar em nossas vidas, pois deseja preservar-nos e nos defender de nós mesmos, já que sempre que uma ação nossa for prejudicar alguém, antes ela já nos atingiu, feriu e nos escureceu, colocando-nos em um de seus sombrios domínios.


Tatá Omulu só foi humanizado em seus dois pólos, ou nos seus extremos.

 E, se em seu pólo negativo e escuro ele é punidor, em seu pólo positivo ele é o orixá curador por excelência divina, que cura as “almas” feridas por si mesmas.


 “Humanizar-se” significa que o orixá ou a divindade assumiu feições humanas, compreensíveis por nós e de mais fácil assimilação e interpretação.

Ele é o excelso curador divino, pois acolhe em seus domínios todos os espíritos que se feriram quando, por egoísmo, pensaram que estavam atingindo seus semelhantes.



 E, por amor, ele nos dá seu amparo divino até que, sob sua irradiação, nós mesmos tenhamos nos curado para retornarmos ao caminho reto trilhado por todos os espíritos amantes da vida e multiplicadores de suas benesses.


 Todos somos dotados dessa faculdade, já que todos somos multiplicadores da vida, seja em nós mesmos, através de nossa sexualidade, seja nas idéias, através de nosso raciocínio, assim como geramos muitas outras coisas que tornam a vida uma verdadeira dádiva divina.

Em seu pólo positivo, é o curador divino e tanto cura nossa alma ferida quanto nosso corpo doente. 



Se orarmos a ele quando estivermos enfermos ele atuará em nosso corpo energético, nosso magnetismo, nosso campo vibratório e sobre nosso corpo carnal, e tanto poderá curar-nos quanto nos conduzir a um médico que detectará de imediato a doença e receitará a medicação correta.

Então pergunto: “Se Tatá Omulu é curador, ele não é a própria caridade para com os enfermos? E, se ele é curador, como podem descrevê-lo como um orixá temido?”.


O orixá Omulu atua em todos os seres humanos, independentes de qual seja a sua religião.



 Mas esta atuação geral e planetária processa-se através de uma faixa vibratória especifica e exclusiva, pois é através dela que fluem as irradiações divinas de um dos mistérios de Deus, que denominamos de “Mistério da Morte”.

Mas entendam este mistério como ele deve ser entendido, e não como o têm ensinado.


Tatá Omulu, enquanto força cósmica e mistério divino, é energia que se condensa em torno do fio de prata que une o espírito e seu corpo físico, e o dissolve no momento do desencarne ou passagem de um plano para outro.



 Neste caso ele não se apresenta como um espectro da morte coberto com manto e capuz negro, empunhando o alfanje da morte que corta o fio da vida.


 Esta descrição é apenas uma forma simbólica ou estilizada de se descrever a força divina que ceifa a vida na carne.

Na verdade, a energia que rompe o fio da vida na carne é de cor escura, e tanto pode parti-lo num piscar de olhos quando a morte é natural e fulminante, como pode ir se condensando em torno dele, envolvendo-o todo até alcançar o perispírito, que já entrou em desarmonia vibratória porque a passagem deve ser lenta, induzindo o ser a aceitar seu desencarne de forma passiva.


Este mistério regido por Tatá Omulu é um dos recursos de Deus e atua num momento de muita dificuldade para os seres, pois não é fácil, para alguém não preparado, esta viagem rumo ao desconhecido mundo dos espíritos ou dos mortos.


O orixá Omulu atua em todas as religiões e em algumas é denominado de “Anjo da Morte” e em outras de divindade ou “Senhor dos Mortos”.


A linha da Geração, é regida em seu pólo positivo, irradiante e multicolorido pela nossa Mãe da Vida, a orixá Yemanjá, e em seu pólo negativo, absorvente e monocromático (pois é de um azul tão concentrado que muitos o vêem como preto) pelo Tatá Omulu, Senhor da Morte.


Omulu é negativo e seu magnetismo atrai os seres que se desvirtuam e se tornaram estéreis.



 Se não criam mais nada, é hora de serem reduzidos a pó para que, nas águas de Yemanjá, voltem a ser espalhados, e que, no eterno movimento das marés, venham a ser reunidos, umidificados, fertilizados e renasçam para uma nova vida.


 Se Yemanjá umidifica e fecunda, Omulu seca e esteriliza.

Simbolicamente representamos Omulu com o alfanje da morte, pois é ele quem reduz ao pó os que abandonam a vida.



 Mas também podemos representá-lo com o cruzeiro das Almas.

Oferendas: velas brancas, água, coco, vinho branco doce licoroso, mel, pipoca e sal grosso, depositado no cemitério ou beira-mar.


Texto baseado no livro “O Código de Umbanda” psicografado por Rubens Saraceni.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

YEMANJÁ




Sétimo Trono assentado na Coroa Divina é o da Geração. O trono da Geração tem em seu pólo magnético positivo a Orixá Yemanjá (irradiante) e no seu pólo magnético negativo o Orixá Omulu (cósmico).


A essência de Yemanjá é a água que vivifica e a essência natural de Omulu é a terra.


A principal atribuição de nossa querida mãe Yemanjá é a proteção à maternidade.


Yemanjá, a nossa amada mãe da Vida, é a água que vivifica e o nosso pai Omulu é a terra que amolda os viventes.


Yemanjá rege sobre a geração e simboliza a maternidade, o amparo materno, a mãe propriamente. Ela se projeta e faz surgir sete pólos magnéticos ocupados por sete Yemanjás intermediárias, que são as regentes dos níveis vibratórios positivos e são as aplicadoras dos seus aspectos, todos positivos, pois Yemanjá não possui aspectos negativos.


Estas sete Yemanjás são intermediárias e comandam incontáveis linhas de trabalho dentro da Umbanda. Suas intermediadoras estão espalhadas por todos os níveis vibratórios positivos, onde atuam como mães da “criação”, sempre estimulando os seres os sentimentos maternais ou paternais.


Todas atuam a nível multidimensional e projetam-se também para a dimensão humana, onde têm muitas de suas filhas estagiando. Todas têm em suas hierarquias de Orixás Yemanjás intermediadoras, que regem hierarquias de espíritos religados às hierarquias naturais.
Yemanjá é a Senhora da Geração e suas irradiações estimulam os seres a ampararem as criaturas. Ela é maternidade pura que envolve os seres, os ampara e os encaminha diligentemente, protegendo-os até que estejam aptos a se guiar.


Simbolicamente representamos Yemanjá com a estrela do mar. Ela é a estrela da Vida.


Oferendas: velas brancas azuis e rosas, champanhe, calda de ameixa ou de pêssego, manjar arroz doce e melão rosas e palmas brancas, tudo depositado a beira mar.


Texto baseado no livro “O Código de Umbanda” psicografado por Rubens Saraceni.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

NANÃ


O Sexto Trono assentado na Coroa Divina é o da Evolução. O trono da Evolução tem em seu lado positivo o Orixá Obaluaiyê (irradiante) e no seu pólo negativo a Orixá Nanã (cósmica).


Obaluaiyê e Nanã são regidos por magnetismos mistos “terra-água”, Obaluaiyê absorve essência telúrica e irradia energia elemental telúrica, mas também absorve energia elemental aquática, fraciona-a em essência aquática e a mistura em sua irradiação elemental telúrica, que se torna úmida.


Nanã atua de forma inversa, seu magnetismo absorve essência aquática e a irradia como energia elemental aquática; absorve o elemento terra e após fracioná-lo em essência, irradia-o junto com sua energia aquática.


Enquanto Obaluaiyê atua na passagem do plano material (encarnação), ela atua na decantação emocional do espírito diluindo todos os acúmulos energéticos, assim como adormece sua memória, preparando-o para uma nova vida da carne, onde não se lembrará de nada que já vivenciou.


Em outra linha da vida ela é encontrada na menopausa. No início desta linha está Oxum estimulando a sexualidade feminina, no meio está Yemanjá, estimulando a maternidade; e no fim desta linha está Nanã, paralisando tanto a sexualidade quanto a geração de filhos.


Nas “linhas da vida”, encontramos os Orixás atuando através dos sentidos e das energias. E cada um rege uma etapa da vida dos seres. Logo, quem quiser ser categórico sobre um orixá, tome cuidado com o que afirmar, porque onde um de seus aspectos nos é mostrado, outros estão ocultos. E o que está visível nem sempre é o principal em uma linha da vida. Saibam que Nanã, em seus aspectos positivos forma pares com todos os outros treze Orixás, mas sem nunca perder suas qualidades “água-terra”.


...Nanã é passiva e atrai todos os seres que não estão aptos a alcançar os estágios superiores, recolhe, esgota suas doenças(vícios) e no barro do fundo de seu lago os assenta e os imobiliza até que decantem suas impurezas ( emoções e sentimentos viciados) quando então estarão maleáveis como o barro(lodo) e prontos para serem recolhidos por Obaluaiyê que os remodelará e numa nova forma(encarnação) crescerão novamente.


O sincretismo com a igreja católica é feito com Santa Ana ou Sant’Ana, foi a mãe da Virgem Maria, portanto avó de Jesus.


Sant’Ana cujo nome em hebraico significa graça, era casada com São Joaquim, que pertencia à família real de Davi, São Joaquim fora censurado pelos sacerdotes por não ter filhos, mas sua esposa Sant’Ana era estéril e já idosa, confiando no poder divino, São Joaquim retirou-se no deserto para rezar e se penitenciar, um anjo então lhe apareceu dizendo que Deus havia ouvido suas preces, algum tempo depois Sant’Ana ficou grávida, nasceu-lhes uma filha que seria a mãe de Jesus, Maria, que foi oferecida ao templo aos três anos e lá ficando até os doze anos.


Oferendas: velas brancas, roxas e rosa; champagne rose, calda de ameixa ou de figo; melancia, uva, figo, ameixa e melão, tudo depositado à beira de um lago ou mangue.


Texto baseado no livro “O Código de Umbanda” obra psicografada por Rubens Saraceni.