TRADUTOR

Seguidores

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

OS ANDARILHOS E SEU TRABALHO




Eh meu povo, sou o andarilho João, 

e vocês perguntam : Quem? 

Andarilho? Na Umbanda? E eu coço 

a cabeça, ora, ora mais um lugar 

que não me conhecem, ou melhor, 

não conhecem a linha dos 

Andarilhos. 

Pois é, nós existimos e muito trabalhamos. Trabalhamos com o seu povo da Umbanda há muito tempo, precisamos muito dos Sagrados Orixás que sempre mandam seus caboclos e caboclas para nos ajudar, como também, dos pretos-velhos e da linha da esquerda Exu e Pomba-Gira. 


Com o que ou quem trabalhamos? 


Com o que mais nos faltou na vida terrena, o pão de cada dia, a solidariedade humana demonstrada através do amor, um sorriso, um abraço, uma mão que se estende, antes até do prato de comida.

Então trabalhamos para aqueles 

que o infortúnio tudo tirou, casa, 

família, trabalho, esperança e 

muitas vezes a fé.


Andarilho, aquele que anda sem 

rumo, deixando que a novo cada 

dia sua estrada seja traçada ao 

sabor do acaso, uma ora aqui outra 

ali. 


No tempo em que fui um na terra não era considerado mendigo, na verdade não esmolava, com pequena trouxa nas costas andava pelas estradas de terra que asfalto não tinha não. Ia de fazenda em fazenda, ou melhor, de herdade em herdade, e em cada uma delas fazia pouso, algumas vezes nada encontrava, passava frio, fome, sede difícil porque na época e na região os rios eram muitos e a água era de todos.

Procurava sempre que alguém se 

apiedasse e me oferecesse 

trabalho, em época de plantio e 

colheita era fácil de arrumar, de 

um tudo fazia, quando não, ao 

invés do campo me davam 

estrebarias para limpar, animais 

para cuidar, mas eu 

desassossegado raiz não fincava.


Na época tinham os andarilhos 

como fracos da cabeça, a maioria 

não era, sempre havia uma história 

triste que ficara para trás, sempre 

havia uma razão para não querer 

ficar e ter contato com qualquer 

coisa que lembrasse o passado, eu 

não corria risco, caso começasse a 

me apegar, punha a mochila nas 

costas e corria chão.


Cachaça não bebia não, uma vez ou 

outra para espantar o frio, quando 

alguém me oferecia um gole ou 

quando tinha ganho e guardava a 

garrafinha no gibão.


Sempre que pude ajudei, sempre 

soube ouvir, pobre que era só tinha 

meus ouvidos para emprestar, 

pequenos ou grandes favores 

nunca me neguei a prestar, não 

queria nada em troca nem o muito 

obrigado, fazia de coração.


É minha gente, não fui santo 

também não, estava resgatando 

muitos erros de encarnações 

distantes quando muitas vezes não 

valorizei família, nem o ganha pão 

sagrado de meu próximo.


Precisava aprender a dar valor e 

quando minha família e bens perdi 

a dor foi imensa, mas não me 

revoltei, apenas raiva no inicio, 

choro em seguida e depois a 

certeza que Deus queria que o 

mundo fosse a minha casa e a 

solidão minha companhia.


Bem um dia conto por que perdi 

tudo, por ora quero apenas dizer 

que estou ao lado de todo aquele 

que desinteressadamente ajuda 

quem nada ou quase nada tem. Eu 

meus companheiros estamos 

abrindo caminhos, estamos 

incentivando, consolando, 

clamando ao Pai auxílio e 

trabalhando para que ninguém se 

desespere e cometa ato 

tresloucado, o que nem sempre 

conseguimos impedir.


Então, você que se propõe a 

ajudar,a levar a comida quente, a 

dar um sorriso ou uma palavra de 

esperança a estes desvalidos da 

sorte, marginalizados da sociedade, 

esteja certo que estamos com você 

e como nada é o acaso, se esta foi 

missão que abraçaste é porque 

sem dúvida no passado tens laços 

fortes com o carma que eles 

resgatam.


Deus os abençoará sempre, Jesus 

enviará seus anjos, Oxalá 

sustentará a vossa fé e Oxum os

cobrirá com o mais puro amor 

nesta hora de auxílio, para que 

portas se abram para estes 

desvalidos, corações sejam 

consolados, almas se salvem.


Para vocês Andarilho João tira o 

seu chapéu.

Avante, continuem sempre e 

precisando é só chamar.


ditado por Andarilho João

psicografado por Luconi

em 18-08-2013

6 comentários:

  1. Gostei! Com a sua permissão posto cá o meu pensamento: Nunca critique nada sem o devido conhecimento. Amo as religiões com os seus acertos e erros, Somos todos andarilhos nessa caminhada.
    Deixo aqui o meu salve

    ResponderExcluir
  2. Uma bela página que mostra que a vida é sempre uma continuidade e que devemos buscar sempre ajudar para evoluir constantemente.
    Beijos.

    ResponderExcluir
  3. Interessante a descrição e os caminhos que o Andarilho trilhou para nos apresentar e mostrar que muitos de nós podemos ou já o somos pela vida.
    Muito bem Luconi.
    Gosto desta pagina.
    Meu abraço com carinho amiga.
    Esteja sempre bem em cada dia que nasce.
    Beijo de paz e luz.

    ResponderExcluir
  4. Olá amiga Luconi

    Uma bela postagem e de grande interesse
    Tenha um fim de semana de muita paz


    Abraços,
    Trocyn Bão - Thiago

    ResponderExcluir
  5. Dona Marcia, sabe as vezes penso que a senhora não deveria para nunca, preserve o habito e deixe hiatos, te amo!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Filho amado, é seus olhos amorosos que assim vê, te amo muito

      Excluir

SEJAM BEM VINDOS FICAMOS FELIZ COM SEUS COMENTÁRIOS QUE NOS INCENTIVAM E ACARINHAM NOSSOS CORAÇÕES