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domingo, 7 de agosto de 2011

UM ACASO QUE ME LIBERTOU



Dizem que nesta vida tudo tem uma razão, mas eu vos digo amigo esta expressão é bem mais abrangente, ela é verdadeira não só na tua vida terrena como também no mundo espiritual.

Anos atrás em certo dia, estava eu em um trabalho num centro umbandista, e ainda incorporado percebi que alguns irmãos da linha branca estavam a minha espera. Muito normal a linha branca sempre está presente, porque a eles direcionamos muitos espíritos sofredores ou endurecidos por sentimentos negativos que conseguimos acender nem que seja uma pequenina luz para poderem ser entregues aos irmãos que cuidam dos prontos socorros espirituais.

Também estes irmãos nos trazem para os trabalhos espíritos que estavam em zonas trevosas e seus espíritos estão com grandes deformidades que não mais se consegue visualizar neles a aparência humana que um dia tiveram. Então para retomarem de uma forma mais rápida a aparência humana, a incorporação num centro umbandista é o mais indicado, pois além do ectoplasma que ao incorporar o médium transfere para ele, estarão  presentes no trabalho os guardiões da Lei, que obrigarão tal espírito a conter suas tendências maldosas, não afetando nem o médium que o incorporará nem a nenhum outro irmão encarnado ou desencarnado.

Já num centro cujos trabalhos se voltam para a linha branca, onde a prioridade é a doutrinação e a cura não só de encarnados, mas de espíritos perdidos que carregam ainda as doenças que tinha quando encarnados, a incorporação de tais espíritos prejudicarão e muito o andamento dos trabalhos,  por terem energia muito pesada pois ainda se comprazem nas suas maldades por terem uma forma distorcida de justiça.
São espíritos doentes sim, mas as suas doenças são exatamente o fruto de suas maldades, são doenças e deformidades que adquiriram após o seu desencarne. Entregaram-se as trevas com o intuito de vingança, realizaram todo tipo de maldade manuseando as energias negativas com o intuito de agradar algum espírito do mal que se assentou nalguma região trevosa em troca de conseguir que este espírito que acham poderoso, ajudá-los em suas vinganças.

Se foram retirados pelos irmãos brancos é porque o Pai decidiu que ninguém mais merecia suas maldades e que eles teriam mais uma chance, através de encarnações compulsórias, onde o livre arbítrio deles não é levado em conta por enquanto, pois são como os doentes mentais da terra. Como percebem, eles estão no centro pra receber ajuda contra a sua vontade, simplesmente porque não tem outro jeito, a Lei deu-lhes um basta.

 Teriam oportunidade de evoluírem de outra forma se tivessem aceito a ajuda de muitos irmãos que trabalham principalmente na Umbanda, que de tempos em tempos se acercam destes espíritos tentando mostrar-lhes que para seus males existe uma saída, e que o Pai não os castigará, apenas eles serão evangelizados, trabalharão na espiritualidade para o bem e depois finalmente prontos para começarem nova caminhada poderão participar do programa de reencarnações, inclusive opinando sobre os detalhes da mesma.

Mas como eu havia percebido os irmãos da linha branca estavam querendo me dizer algo, pareciam um tantinho apreensivos, e então já quando eu ia terminar os trabalhos, chega-se até mim a cambonia do centro, dizendo:- Seu Zé, tem um rapaz que entrou e pediu um prato de comida, nós vamos ajudar, mas acho que ele pensa que pra receber ajuda tem que fazer parte do centro, então pediu se podia receber benzimento.

Olhei para os espíritos da linha branca, percebi a emoção em seus olhos, olhei para o filho que chegava e vi guardiões da lei (exus) amparando-o. Voltei para o meu lugar e pedi que ele se aproximasse. Então o cumprimentei saudando pai Oxalá, e peguei suas mãos, tão magras, tão frias, suas roupas eram farrapos, seus pés calejados e feridos de tanto andar, e por incrível que pareça estava sóbrio, não havia energia de bebida alcoólica, mas eu via em seu corpo astral já doenças trazidas pelo uso indiscriminado do marafo.

Imediatamente chamei dois médiuns e os guardiões da lei que o cercavam trouxeram alguns espíritos que o vampirizavam quando bebia, em seguida veio um espírito totalmente ignorante, perdido, dizendo que ele jamais permitiria que ele se fortalecesse, o acompanhava em todas as encarnações para não correr o risco dele conseguir cumprir a missão. Mas apesar disto a cada encarnação ele evoluía, pois se não cumpria a missão também não se entregava ao ódio, nenhum mal propositadamente fazia a ninguém. E isto estava enfurecendo tal espírito que queria o direito de levá-lo definitivamente para as trevas. Bem com algum custo o retiramos, prometendo que iríamos conversar na espiritualidade e faríamos um acordo desde que fosse dentro da Lei do Pai, ele sem saída aquiesceu, os guardiões já o haviam envolto em uma espécie de rede espiritual que o impediria de seguir livremente, teria que nos ouvir na espiritualidade e sabia que nunca mais poderia atormentar aquele filho.

Bem até aí normal, mas então o espírito de uma mulher de muita luz, incorporou em um dos médiuns, abraçou de forma muito especial aquele filho, que naquele instante recebia uma chuva de pétalas de rosa. Depois olhando para mim disse:
-Salve os seus trabalhos seu Zé, salve antes de tudo Nosso Mestre, Jesus Cristo.

Eu a conhecia, e como a conhecia, era Zelda, dois milênios antes havíamos cumprido missão juntos na terra, e mais duas vezes, muitas vezes na espiritualidade nos encontramos, ela me ajudará a ver a Verdade e desde então em certos socorros eu a chamava ou ela precisando da energia da Umbanda me chamava. Evoluíamos cada um na sua seara, mas sempre unidos estávamos e estaríamos pelos laços do amor fraterno.

Desde que eu decidira seguir as Leis do Pai, nunca mais falamos sobre a minha dor mais profunda, calejada dentro do peito, perdoara porque o amor de um pai sempre fala mais alto, mas diziam que eu ainda não estava preparado para saber onde ele estava, tinham receio que por muito amá-lo eu para defendê-lo transgredisse as Leis, ou então, ao vê-lo revivesse o passado e o ódio voltasse. Aceitei as designações do Pai, e esperava já há centenas de anos.

Ela ali naquela hora não emanava amor fraterno, mas sim amor maternal, os espíritos da linha branca me cercavam, e os guardiões estavam emocionados, e eu ali incorporado comandando os trabalhos, não podia me expandir, porque não me falavam a razão daquilo tudo, era certo que tanto os guardiões como os espíritos brancos e a minha grande amiga, trouxeram o rapaz até ali, entendi porque estava sóbrio, eles não deixaram os espíritos que o vampirizavam se aproximar.

De repente olho para a médium que Zelda estava incorporada e seu olhar me diz tanto, escorrem lágrimas no rosto da médium, eu olho para o rapaz e vejo através não dos olhos do meu médium, mas através dos olhos do tempo, minha casa incendiada, minha filha querida usada e morta por asfixia, Zelda caída ao chão morrendo aos poucos devido a punhalada em seu ventre de onde o sangue escorria em abundância eu amarrado a uma árvore assistindo a tudo, já bastante ferido. 

Eles queriam alguma coisa que eu não tinha como entregar, eram pedras preciosas, ouro, que haviam ficado comigo, eu achara quando o dono das terras que eu vivia morrera, ninguém sabia da existência só minha família. No entanto naquela época eu começava a me converter ao cristianismo, não acreditava muito no Deus único, mas me era simpática a forma com que os discípulos daquele Cristo agiam.

Era servo, era grego em terras Palestinas, pelos judeus era maldito porque me consideravam pagão, mas os cristãos me recebiam, não conheci o Cristo, acontecera há 150 anos antes de meu nascimento, muito sofri até ganhar a confiança do senhor daquelas terras que também estava se convertendo, tinha simpatia pela causa dos cristãos e eu sabia que antes de ser morto pelos romanos ele iria entregar aquele tesouro para os cristãos beneficiarem os doentes e famintos, então ao encontrá-lo ao invés de logo dar o destino que meu senhor queria a ele, eu fiquei entre a cruz e a caldeirinha, precisava de um tempo para me decidir.

Exatamente na noite anterior, meu coração se apertou, e eu decidi que a causa deles era justa e que não importando se o tal Deus existia ou não, eu faria a vontade do meu antigo senhor, e assim fiz.

Não podia entregar aos bárbaros o que eu não tinha, mas o pior de tudo foi ver um cavalo vindo, comendo poeira, chegando e o seu cavaleiro apeando e gritando:
-Não vocês me enganaram, eu entregaria o tesouro em troca da terra ser nossa, vocês não viriam buscá-lo.

Era meu filho, era ele, Artrius, meu Deus o que ele fizera, iria roubar o tesouro para entregar aos bárbaros, para mim os romanos eram bárbaros, preferia os judeus.  Então antes de acabarem de me matar, eu o vi ser decapitado, e em seguida foi a minha vez.

Deu tempo dele clamar pelo meu perdão, mas naquela hora diante dos corpos de minha esposa e filha, eu o amaldiçoei.

Agora ali naquele terreiro, eu o tinha na minha frente, andarilho errante, um trapo humano, há tanto tempo o perdoara, ninguém no terreiro entendeu nada, eu não podia falar quem era ele, nem a história ocorrida, mas eu podia abraçá-lo, eu podia retirar a minha maldição, que há muito já havia retirado perante Deus em minhas preces. O abraço perdurou muito tempo, com a ajuda os espíritos da linha branca segurei minha emoção, e apenas disse:

-Nunca mais você sentirá fome, não será rico, mas o pão em tua mesa não irá faltar- e como ninguém no centro tinha me visto emocionado daquela forma, um homem da assistência levantou-se e disse:

-Se ele quiser, amanhã mesmo começa a trabalhar, o ganho é pouco, por enquanto a vaga vai ser de faz tudo, mas quem sabe com o tempo isto muda. Se aceitar quando sairmos daqui iremos para o depósito da empresa, lá tem um quartinho e ele pode se ajeitar ali por enquanto.

O rapaz, dizia:- Eu quero, eu quero, cansei de dormir na rua, eu quero.

Bem eu não precisava ouvir mais nada, Zelda deixava o rosto da médium lavada de lágrimas, ela podia dizer quem era realmente, e virou-se para o rapaz e disse:

-Meu filho, dois mil anos se passou antes de você conseguir o merecimento de nossa intervenção, hoje esta mãe que muito o ama, ganhou a maior bênção que poderia ter ganho, hoje inicia-se a sua escalada para a evolução e esteja certo, pela primeira vez depois de tantas idas e vindas, quando atravessares a ponte a tua família espiritual de dois mil anos atrás te receberá de volta em seu seio.

Agradeceu a Deus e foi-se, a emoção no ambiente era tal que todos choravam, eu não podia, eu era o seu Zé, comandante dos trabalhos,  meus filhos ainda não estavam preparados para certas verdades.

Encerrei os trabalhos, os meus irmãos da Umbanda, os da linha branca, Zelda, todos estavam me aguardando, os guardiões que acompanharam meu filho foram os primeiros a me abraçar, eu passara pela prova. Incorporado em meu médium, revivenciara todos os momentos do sofrimento que haviam ocasionado certa queda e estacionamento meu, na minha frente o causador, e mesmo assim o meu amor falara mais alto,  posto a prova provei para mim mesmo que no meu coração não mais havia lugar para mágoas, muito menos ódios.

Todos juntos fomos para um lindo vale, e oramos, agradecemos muito, e então pétalas de rosas forraram o chão daquele vale, estava consolidado o bem realizado.

Meu filho ainda vive na terra, de forma humilde, formou família,ainda é empregado naquela loja de materiais de construção, luta com seus instintos inferiores, tem vencido com alguma dificuldade, segue a sua missão espiritual na Umbanda.

Eu e Zelda  acompanhamos nosso filho de longe na maioria das vezes, sempre que podemos o visitamos durante o seu sono, quando o seu espírito fica livre da matéria. Tem três filhos, a mais velha é a irmã querida daquela época distante, que vai ampará-lo na velhice, os outros dois meninos, são os amigos romanos que ele havia confiado na época, hoje estão em plena evolução e serão médiuns primeiro só umbandistas depois também de linha branca. A esposa é um espírito que tinha vínculos fortes de outras vidas com ele, e era filha de um dos romanos que hoje é seu filho.

Bem meus filhos, como veem nada nesta vida é o acaso, e tudo tem que ser colocado em seus devidos lugares, ódios e mágoas tem que ser extintos, o coração precisa se tornar puro, puro como o das crianças, e então estaremos prontos, e poderemos seguir o chamado do Mestre, que diz “Vinde a mim os puros e mansos”, ou então aquele outro chamado que diz, “Vinde a mim as criancinhas, pois delas serão os reinos dos céus”. 

Quando esta humanidade tiver a pureza das crianças em seu coração, não mais viverão num planeta de expiação e aprendizado através do sofrimento.

Ditado por Zé Pilintra do Catimbó
Psicografado por Luconi
07-08-2011 

5 comentários:

  1. Ola amiga!

    Sempre muito obrigado pelos comentarios no blog.

    Texto lindo , perfeito...

    Vc tem algum livro já publicado?

    Nunca pensou em escrever um?

    Sabias palavras como essas tem que ser dividas para muitas pessoas , assim aos poucos vai dispertar no coração o Amor do nosso pai Oxala!


    um bjos

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  2. Oi Luconi, muito emocionante esta história, uma verdadeira lição de vida!
    Sempre chega o tempo bendito em que todos podem reparar seus erros e perdoar, e quando isso acontece a alma se liberta dos grilhões do sofrimento.
    Salve seu Zé Pilintra, uma alma que admiro muito por sua coragem e dedicação, sempre trabalhando e ajudando á todos com muito empenho.
    Beijos e uma ótima tarde!

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  3. Nossa quanta emoção, senti cada palavra desse relato. Podendo reconhecer a essencia desse grande amigo e protetor.

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  4. Muito Linda e Edificante !
    Q "o mundo" torne mais consciente , respeitoso e
    ppalm/ amoroso.
    Muita Paz e Bençãos do Pai Maior !

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  5. Nossa. Que lindo! Que emoção! Estas mensagens estão me dando uma nova visão da espiritualidade dentro dos terreiros! Obrigada! Obrigada!!!! Obrigada!!!!!

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